Nesta terça-feira (22), a mesa diretora da Câmara Municipal de São Paulo propôs uma redução de 30% dos salários dos vereadores, 30% das verbas do gabinete e de 20% dos vencimentos dos assessores. Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, alguns vereadores foram contra proposta foram contra o projeto, o que gerou um conflito no grupo dos parlamentares pelo WhatsApp.
“Doaria 100% do meu salário, mas se tivesse fiscalização dos gastos”, disse o vereador Adilson Amadeu (DEM), em um dos áudios mandados pelos vereadores contra o projeto. “Ninguém está olhando como se gastam essas verbas”, completou.
O projeto deve ser votado nesta quinta-feira (23) e, para ser aprovado, precisa do voto favorável de 28 dos 55 vereadores paulistanos.
Amadeu revelou que poderá se abster da votação, “a mesa diretora deveria dar satisfação para os 55 vereadores, mas não foi isso o que aconteceu. Foi tomada uma decisão sem consultar os outros vereadores. Estamos há 30 dias tendo reuniões virtuais”.
“A Câmara quis se antecipar à Assembleia Legislativa para aparecer. Eu doaria 100% do meu salário, mas o que eles estão fazendo é demagogia”, disse. “Tem de pegar o fundo dos procuradores e dos auditores fiscais, que ganham R$ 50 mil por mês. Ninguém sabe direito o que está sendo comprado”, completou.
Ainda sobre os gastos, Amadeu afirmou que esse dinheiro é o “inimigo invisível”, “que está sendo usando sem fiscalização”.
“O meu desconforto é que nem a Assembleia aprovou isso aí. A Câmara quer fazer para sair na frente e fazer demagogia”, acrescentou o vereador.
Com a redução e corte de gastos, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) pretende enviar R$ 320 milhões para a Saúde.
O vereador Camilo Cristófaro também se manifestou contra a medida. “Cadê o R$ 1 bilhão que a gente aprovou para a Prefeitura?”, questionou.
“Os ônibus estão circulando com 50% da frota, mas vão receber o subsídio normalmente, R$ 3,6 bilhões”, disse. “Nos hospitais, estão faltando equipamentos”, acrescentou.
Em São Paulo, as compras de emergência estão sendo publicadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) em uma página virtual e está aberta para consulta pública.
