Elas chegaram para ficar

Decretos estadual e municipal passam a obrigar o uso de máscaras no transporte público; veja a importância do uso da proteção facial

Secretaria Estadual da Saúde atualizou o número de vítimas da doença no Estado

As determinações começam a valer a partir da próxima segunda-feira | Marcelo Gonçalves/Sigmapress/Folhapress

O governador de São Paulo, João Doria, e o prefeito da Capital, Bruno Covas (ambos do PSDB), determinaram nesta semana a obrigatoriedade do uso de máscaras por todos os usuários no Metrô, na CPTM e nos ônibus intermunicipais da EMTU, além de táxis e transporte por aplicativo. A nova regra oficializa uma medida de prevenção ao novo coronavírus que já estava se tornando comum entre os paulistas e paulistanos: o uso da proteção facial toda vez que sair às ruas.

A utilização das máscaras passou a ser indicada a toda a população após serem verificados bons resultados de alguns países asiáticos no combate à doença, como a Coreia do Sul, onde a população tem o hábito de usar máscaras mesmo fora da pandemia do novo coronavírus. No Brasil, a recomendação é que a população em geral use máscaras caseiras, de pano, e deixe as profissionais exclusivamente aos trabalhadores da saúde.

De acordo com a cientista biomédica Tamara Gomes, as máscaras caseiras podem ser tão eficientes quanto as profissionais para a população em geral. “Por serem personalizadas, elas se adequam perfeitamente ao rosto da pessoa que está usando, expondo menos ainda o indivíduo”, explica.

A biomédica ainda diz que a máscara protege tanto quem usa quanto as pessoas ao redor.

A sua recomendação, porém, é a de se manter o máximo possível do tempo em casa e, se for sair, colocar a máscara antes de abrir a porta de casa. Ela destaca ainda a importância de haver medidas governamentais mais eficientes para enfrentar a crise sanitária. “Espero que o governo federal pare de estimular as pessoas a sair de casa e que os governos estaduais e municipais consigam estabelecer corretamente os protocolos seguros para contenção da pandemia da Covid-19”, diz.

Segundo o infectologista Carlos Starling, a máscara deve ser trocada em até 4 horas, caso ela tenha permanecido seca. Porém, se a pessoa não tiver uma máscara reserva e o acessório permanecer seco, pode continuar usando o material. Em caso de umidade, precisa ser trocada imediatamente.

Moradora da zona leste vende máscaras a R$ 2

A orientadora e costureira Vera Lucia Silva, moradora da zona leste da Capital, se viu sem trabalho com o início da pandemia do novo coronavírus. Como tinha uns retalhos em casa, decidiu começar a fazer máscaras para vender e doar. Hoje, ela já produziu mais de 3,5 mil máscaras de pano. O destaque é o preço: sejam em algodão, tricoline ou sarja, todas custam R$ 2.

“Eu vi que todo mundo estava cobrando caro pela máscara, o que acho um absurdo, e coloquei as minhas a R$ 2. O preço é apenas para repor os tecidos, e doo minha mão de obra. Viro a noite trabalhando”.

É comum, porém, que não cobre pelos produtos. “Quem puder, paga. Quem não puder recebe do mesmo jeito. Escuto tanta palavra bonita pelo trabalho que me fortalece”.

A fabricação começou apenas com tecido e tesoura. Depois, ganhou como doação uma máquina de costura, além da ajuda de outras pessoas.

Ela diz que a periferia é onde as pessoas menos têm condições de usar máscara, por isso a importância do valor baixo. “Um ser humano deve ter direito a pelo menos duas máscaras: usa uma, lava outra”.

Para contato, o telefone de Vera é (11) 96891-5988.