O boletim epidemiológicode São Paulo revela a diferença na taxa de mortalidade pelo coronavírus nas regiões da cidade. O risco de morrer pela doença pode ser dez vezes maior em regiões com os piores indicadores de desenvolvimento humano da Capital.
Em áreas com a população mais privilegiada, a taxa de letalidade é de 0,7% por 100 mil habitantes entre 40 e 44 anos de idade. Enquanto nas regiões de baixa qualidade de vida, a taxa chega a 6,7 por 100 mil habitantes na mesma faixa etária.
Em pessoas entre 65 a 69 anos, a taxa é de 25,9 para cada 100 mil habitantes na região de inclusão – ou seja, com maior qualidade de vida. Em regiões na área de exclusão 2, a taxa é de 56,1 por 100 mil pessoas. Na área de exclusão 1, a região média entre as duas, a taxa fica em 48,1.
Na zona oeste da cidade, na Vila Sônia, Butantã e Jardim Paulista, a taxa fica em 8,3 por 100 mil pessoas. Em bairros da zona leste como São Miguel Paulista, Guaianases, São Mateus e Iguatemi, a taxa varia de 24,8 e 31,1 para 100 mil habitantes. Brasilândia também entra nesta faixa.
Em Marsilac, na zona sul, e Pari, no centro, a taxa varia de 33,1 e 43,2 mortes para 100 mil habitantes.
NEGROS.
Analisando as mortes confirmadas e suspeitas até o dia 17 de abril, os negros possuem um risco de 62% maior de serem vítimas do que os brancos. Os pardos possuem um perigo 23% maior.
A cada 100 mil brancos, a taxa de mortalidade é de 9,67%. Já para negros, a taxa chegou a 15,64% e pardos a 11,8%.
Segundo o Mapa da Desigualdade, divulgado em novembro do ano passado pela Rede Nossa São Paulo, os bairros mais afetados pela doença possuem uma população negra maior que os menos afetados. Em Brasilândia, na zona norte, e Iguatemi, na zona leste, o percentual de negros (pretos e pardos) é maior que 50%. Em Guaianases, o percentual é de 51,5%. No Butantã, na zona oeste, o percentual chega a 16% e no Jardim Paulista, também na zona oeste, chega a 8,5%.
