A provável prorrogação das eleições municipais para meados de novembro ou dezembro dificultará o projeto de reeleição dos mandatários em exercício, uma vez que os efeitos da pandemia em suas dimensões econômicas, sociais e de saúde pública serão mais perceptíveis e sintomáticos.
Os chefes dos executivos locais pagarão a conta pela fragilidade da cooperação entre os demais entes federativos; pelas tomadas de decisões sustentadas em imprecisão de dados, indicadores e informações detalhadas; pela debilidade no refinamento das matrizes de riscos para determinar a flexibilização da atividade comercial e pelos gastos excessivos de recursos públicos em estratégias incapazes de mitigar os efeitos da interiorização da pandemia.
Em síntese, em sua grande maioria, os governos municipais serão acusados de gerar a falsa sensação de segurança, mesmo não detendo desde o início do surto a capacidade de produzir diagnósticos, consensos, planejamentos e ações eficazes para lidar com tal realidade. Contudo, a oposição também correrá riscos diante de uma pandemia de incertezas, sendo que os discursos populistas, a disseminação do espírito de desmobilização e ataques gratuitos, podem configurar-se num ato de irresponsabilidade. Portanto, faz-se necessário compreender os limites na exploração da fragilidade e das difíceis escolhas exigidas da municipalidade diante de cenários que incluem desde rastro de desemprego a congestionamento em unidades de saúde.
A meta consiste em rejeitar o comportamento que soe como “urubu sobre a carniça” e adotar a conduta de alguém disposto a contribuir com a solução e preparado para lidar com problemas verdadeiros. Ou seja, os postulantes de oposição terão que encontrar um ponto de equilíbrio nas críticas, podendo propor debates como a falta de planejamento, ausência de transparência nos gastos e inação diante da deterioração econômica, temas que devem ser tratados com a prudência de quem não deseja promover a desunião.
Terão que convencer que são capazes de “fazer mais com menos” para uma sociedade obrigada a conviver com o “novo normal”, e demandante da ampliação de políticas públicas voltadas à proteção social, mas em um contexto de queda dramática de arrecadação.
*Por Nilton César Tristão (cientista político) e Maurício Brusadin (economista)
