Polícia Federal abre inquérito para investigar vazamento de dados de Bolsonaro, filhos e aliados

Grupo intitulado 'Anonymous do Brasil' publicou dados como CPF, RG, empresas, linhas de créditos e bens

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

Jair Bolsonaro, família e aliados tiveram dados pessoais divulgados pelo grupo Anonymous | /Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Nesta terça-feira (2), o Ministério da Justiça instaurou um inquérito para investigar a divulgação de dados pessoais de Jair Bolsonaro, família e aliados. A divulgação dos dados por hackers ocorreu na noite desta segunda-feira (1º).

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Um grupo de hackers autointitulado “Anonymous”, que atua internacionalmente, publicou informações em perfis do Twitter, uma rede social. Além do presidente e seus filhos, ministros como Damares Alves, dos Direitos Humanos, e Abraham Weintraub, da Educação, o empresário Luciano Hang e o deputado Douglas Garcia foram alvos do grupo.

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Alguns minutos após a exposição, a rede social suspendeu a conta e o site que continha informações ficou fora do ar. Entretanto, outras contas foram criadas e seguiram publicando informações confidenciais dos alvos.

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Anonymous.

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O grupo de hackers Anonymous atua em diversos países e voltou a aparecer no último domingo (31), após o caso de George Floyd, o ex-segurança negro que foi assassinado por um policial branco nos Estados Unidos.

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Na rede social, o ministro da Justiça, André Mendonça confirmou a abertura do inquérito e informou que “as investigações (sobre a divulgação dos dados) devem apurar crimes previstos no Código Penal, na Lei de Segurança Nacional e na Lei das Organizações Criminosas”.

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Até o momento, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e o Palácio do Planalto não se pronunciaram sobre a exposição.

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Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador, confirmou a veracidade dos dados divulgados. “A turma ‘pró-democracia’ vazou meus dados e de outros na internet. Após violações à livre expressão, agora ferem a privacidade. Sob a desculpa de ‘combater o mal’, justificam seus crimes e fazem justamente aquilo que nos acusam, mas nunca provam”, escreveu em seu Twitter.

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Douglas Garcia, outro alvo do grupo de hackers, se pronunciou e confirmou que os dados eram dele. “Anonymous Brasil, de forma criminosa, acaba de divulgar todos os meus dados nas redes sociais. Para que colocar os meus familiares em risco? Para que divulgar o endereço de minha casa? Os lugares em que trabalhei? Estou indo agora mesmo na delegacia fazer um boletim de ocorrência. Se algo acontecer comigo ou com meus familiares nos próximos dias, a responsabilidade é diretamente dos fascistas que se autodenominam ‘antifas’”, escreveu o deputado.

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O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e a ministra Damares Alves não confirmaram a veracidade dos dados, mas o ministério repudiou o acontecimento. “A divulgação criminosa de dados, em clara violação aos direitos fundamentais à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem”, diz a nota.

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“A divergência de ideias jamais deveria ser justificativa para a prática de ação totalitária e antidemocrática como esta. Que os responsáveis sejam devidamente identificados e processados, nos termos da lei”, completa o texto.