Na última quinta-feira (14), a Prefeitura de São Paulo anunciou que as aulas presenciais na Capital serão retomadas em fevereiro. A autorização segue a orientação do Governo de São Paulo que, desde o fim de 2020, vinha defendendo aulas presenciais para o ano letivo de 2021. Apesar disso, a explosão dos casos de Covid-19 tem feito com que muitos prefeitos sigam em dúvida se reabrem ou não as escolas.
Um levantamento realizado pela Gazeta revela que 23 cidades da Grande SP seguem indefinidas quanto à forma com que as aulas retornarão, se de maneira remota, presencial, ou híbrida. No ABC, um consórcio que reúne as prefeituras da região decidiu que a retomada das aulas presenciais vai ficar condicionada à disponibilidade da vacinação contra a Covid-19.
Na Baixada Santista é o cenário epidemiológico dos próximos dias que deve definir ou não a retomada das aulas. Em Santos, a Secretaria de Educação (Seduc) optou pela volta de maneira híbrida das aulas depois de obter o aval da Secretaria de Saúde do município e dos demais órgãos competentes, observando as medidas sanitárias do Plano São Paulo.
Já nas cidades de Praia Grande e Mongaguá, a retomada do ano letivo ainda está em fase de estudos.
Capital e Interior.
No Interior, por outro lado, as prefeituras seguem mais inclinadas a retornarem com o ano letivo de maneira híbrida ou totalmente presencial. A Prefeitura de Bauru, por exemplo, já definiu que as aulas serão presenciais, porém ainda estuda as medidas necessárias para o retorno
seguro.
Campinas, por sua vez, optou pelo ensino híbrido, com metade dos alunos em sala de aula e a outra metade em casa. Os estudantes devem fazer um revezamento
semanal.
Na Capital, nas escolas municipais, o retorno acontecerá a partir de 15 de fevereiro, com 35% dos estudantes que optarem pela volta, em forma de rodízio. As escolas particulares podem reiniciar 4 de fevereiro.
Reabertura.
O decreto que autoriza a reabertura das escolas em todas as fases do Plano São Paulo foi publicado em dezembro de 2020. Na ocasião, o governador João Doria disse que a decisão foi embasada em experiências internacionais e nacionais para garantir o desenvolvimento cognitivo e socioemocional dos
estudantes.
Para o chefe de Educação do UNICEF (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância) no Brasil, Ítalo Dutra, a atividade remota não substitui as interações presenciais, sobretudo de crianças pequenas. Ele ressalta ainda que as escolas cumprem um papel que vai muito além do ensino e aprendizagem.
“Há um número muito grande de adolescentes e crianças que ficaram praticamente o ano passado todo sem ser atingido por nenhuma atividade remota e é isso que pedimos que também seja levado em consideração”, diz ele.
Dutra observa ainda os impactos das escolas fechadas. “Já há um risco alto de uma evasão enorme nessa passagem de 2020 para 2021, e existem várias pesquisas que mostram que há impactos importantes na vida, na saúde mental, proteção contra violência, segurança alimentar dos estudantes, para além dos prejuízos relacionados à aprendizagem e desenvolvimento das crianças”, finaliza. (Gladys Magalhães, com colaboração de Matheus Herbert (GSP) e Caroline Souza (DL)