Vacinar é preciso

Vacinar é a única esperança real e palpável para o mundo sair da crise sanitária e econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus. A afirmação não se trata de uma ideia socialista, de uma estratégia de negócios dos chineses ou de uma opinião de cientistas. A experiência da humanidade com doenças no decorrer de séculos mostra que populações inteiras já foram literalmente exterminadas quando não existiam vacinas, remédios ou qualquer tipo de tratamento para determinada doença.

A chegada de um novo vírus fez a comunidade científica correr contra o tempo e usar todo o conhecimento prévio e tecnologia para o desenvolvimento de novos imunizantes seguros e eficazes para frear o avanço da pandemia no mundo. Mesmo com vacina, era consenso entre cientistas que a pandemia não iria acabar antes de dois anos. Isso porque realmente há um tempo mínimo para o complexo processo de pesquisa e incremento de um imunizante.

Usando a linguagem popular, o momento em que vivemos é o tal do “se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”. Nenhum país tem condições de manter o andamento da economia com hospitais lotados e nenhuma economia parada tem condições de manter atendimento em saúde sem verba para tal. Portanto, iniciou-se em todo o mundo a corrida pela vacina. Primeira missão cumprida, o segundo desafio era dar conta da demanda mundial de 7 bilhões de pessoas. Somente no Brasil, somos 211 milhões, o que significariam 422 milhões de doses de vacina (já que a maioria das vacinas precisa de duas doses), numa conta simples levando em conta todos os habitantes.

O Brasil é referência mundial na produção de vacinas e tem um dos calendários vacinais mais completos e totalmente gratuito. Contamos com a Fiocruz e o Instituto Butantan com expertise na área, porém a vacinação alcança hoje somente 10% da população. Os Estados Unidos, país que está vacinando 3 milhões por dia, ultrapassaram a marca de 150 milhões de doses aplicadas em uma população de 330 milhões. Como? Ainda no governo de Donald Trump, os EUA foram os primeiros a comprarem em grande quantidade os imunizantes da Pfizer e Moderna e da Johnson & Johnson, mesmo antes de serem aprovadas.

A Câmara Federal discute a compra da vacina por empresários que querem ter o direito de vacinar seus funcionários. A medida seria desnecessária se o governo fizesse a sua parte. Essa é a pressão que a sociedade deveria fazer para voltarmos a ter um resquício de vida normal. Problemas coletivos se resolvem
coletivamente.