Brasil se aproxima de 500 mil mortes por Covid

SOB PROTESTOS. Durante fim de semana em que País deve alcançar a triste marca simbólica, oposição promove manifestação por impeachment e mais vacinas

Movimentação em cemitério de São Paulo

Movimentação em cemitério de São Paulo | Ettore Chiereguini/Gazeta de S.Paulo

Neste sábado, em que o Brasil se aproxima de 500 mil mortes e 18 milhões de casos da Covid-19, setores da oposição e descontentes com o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltam às ruas para uma nova manifestação nacional pelo impeachment, por mais vacinas e por auxílio emergencial, menos de um mês após os atos de 29 de maio, que atraíram milhares de pessoas.

Até quinta-feira (17), estavam confirmados 409 atos em 402 cidades de todos os estados brasileiros. No exterior, a previsão era a de concentrações em 41 cidades, em países como Estados Unidos, Canadá, França, Portugal, Itália, Finlândia e Argentina.

Em São Paulo, a concentração do protesto foi marcado novamente para a frente do Masp, na avenida Paulista, a partir das 16h. A maior parte das cidades marcou passeatas, mas em algumas também carreatas, consideradas menos arriscadas para a disseminação do novo coronavírus.

A última manifestação foi ironizada por parte dos apoiadores do governo pelas aglomerações causadas. A recomendação dos organizadores é que os manifestantes usem máscara (preferencialmente do tipo PFF2), carreguem álcool em gel e mantenham o distanciamento social. Nos protestos de maio, as orientações foram seguidas por grande parte das pessoas, mas houve aglomerações e relatos de outros desrespeitos às normas de prevenção à doença.

No sábado passado (12), Bolsonaro participou na capital paulista de um passeio de moto com apoiadores, depois de eventos semelhantes em Brasília e no Rio de Janeiro.

Durante a semana o presidente voltou a mostrar despreocupação com as medidas que comprovadamente evitam o contágio pelo coronavírus. Na quarta (16), participou da festa de aniversário do secretário nacional do Esporte, Marcelo Magalhães.

De acordo com o “Estadão”, mais ou menos 50 pessoas passaram pelo evento, que contou com a presença de Flávio Bolsonaro, dos ministros Gilson Machado (Turismo), João Roma (Cidadania) e do ex-jogador de vôlei Giba. Magalhães é padrinho de casamento de Flávio.

O local, complexo gastronômico com pista de skate, estava liberado só para convidados da festa, animada por uma banda de pagode. Com exceção de duas pessoas, as demais dispensaram a
máscara.

OMS LAMENTA.

“É com muita tristeza que a OMS vê o Brasil atingir esses números de óbitos e de pessoas afetadas por enquanto pela Covid-19”, disse nesta sexta (18) a diretora-geral assistente da Organização Mundial da Saúde, Mariângela Simão.

Responsável por vacinas e medicamentos na OMS, Mariângela Simão disse que o Brasil tem se destacado na capacidade de produzir imunizantes, o que permitiu que mais de 80 milhões de doses já tenham sido aplicadas, mas que “há grande necessidade de reforçar as medidas preventivas de saúde pública”. (GSP e FP)