Virou até provérbio dizer que “o brasileiro não tem um dia de paz” e nesta semana não foi diferente. Denúncia de superfaturamento na compra da vacina indiana, presidente atacando a imprensa, pesquisa mostrando queda de popularidade de Bolsonaro e até direita, esquerda e centro se unindo em prol de um superpedido de impeachment.
Vale lembrar que ainda estamos na pandemia, com hospitais lotados, brasileiros morrendo por Covid-19, desemprego e crise econômica. E essa instabilidade toda com certeza tem afetado o humor do presidente que só fez se irritar nas aparições quando questionado sobre as últimas denúncias que pipocaram na CPI da Covid.
Se não está fácil para Bolsonaro, imagina para o povo brasileiro. Essa instabilidade e polarização política está presente no dia a dia no País há alguns anos já e não vem se mostrando saudável. De crise em crise, o Brasil vai mergulhando ainda mais fundo em um abismo de corrupção, mau uso do dinheiro público e administrações catastróficas.
Mas como por aqui “desgraça pouca é bobagem”, sempre tem um ingrediente a mais para nos tornar únicos. A CPI vem desenhando um cenário preocupante: um governo que apostou numa estratégia que não funciona no combate à pandemia (leia-se remédio ineficaz e imunidade de rebanho) e que teria utilizado a vacina, único recurso comprovadamente capaz de frear o coronavírus, para ganhar dinheiro. Neste caso, a corrupção a qual estamos tão habituados teria ganho uma pitada de perversidade: a morte dos brasileiros como consequência.
Improbidade administrativa, pedalada fiscal, corrupção ativa ou passiva, nem sabemos em qual crime de responsabilidade gravíssima essa acusação se enquadraria, o que se sabe é que cada depoimento é um chute no estômago e uma lágrima que cai de revolta no rosto do brasileiro.
Com parte do apoio do centrão e aliados ainda fechados com Bolsonaro, não se pode cravar que a CPI ou até um dos pedidos de impeachment seja aceito na Câmara. À medida que cada família perde um ente querido para a Covid, a rejeição de Bolsonaro vai aumentando. A cada desempregado, despejado ou inadimplente que aparece nas estatísticas, maior é a soma dos que acham ruim ou péssimo o governo.
A pressão popular está crescendo através dos protestos nas ruas e nas redes sociais. O clima, que não estava bom, agora está perigosíssimo. O brasileiro, que disse não à corrupção nas urnas em 2018, está se sentindo traído e não quer repetir a história. Que o Brasil não caia novamente na cilada do “tudo menos o PT”, na nova versão “tudo menos o Bolsonaro”. Que o eleitor pense desde já em escolher um plano de governo e não somente o oposto do que não quer.
