MP permite que postos possam vender combustíveis de outras redes

Governo Federal adota plano como estratégia para diminuir precificação de produtos

Governo aprova Medida Provisória que permite postos venderem combustíveis de outras marcas | /Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

Antecipando a consulta pública da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o governo de Jair Bolsonaro lançou nesta quarta-feira (11) a MP (Medida Provisória) que visa a permissão para postos de gasolina venderem combustíveis de outros fornecedores, além do próprio produto.

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Em tese, a medida flexibiliza o regulamento para que marcas comerciais de distribuidoras, como Shell, BR ou Ipiranga escolham o produto que queiram vender, desde que informem ao consumidor.

De acordo com o MME (Ministério de Minas e Energia), a MP aumenta a concorrência, o que levaria os pontos de venda a baixarem os preços.

Em maio, a ANP argumentou que a marca da gasolina passaria a ser escolha do consumidor e não uma obrigação regulatória e fiscalizada. O governo, na época, estimava que, protocolada a medida, o preço poderia reduzir em até R$0,50 por litro da gasolina.

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O projeto acabou não andando após fortes confrontos de ideias em audiência pública – que culminou em uma liminar a favor do Sindicom (Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes).

Na liminar, o sindicato ligado a grandes distribuidoras defendeu que o tema não contou com participação popular, e que a mudança beneficiaria as empresas que atuam irregularmente – seja através de sonegação de impostos ou com a venda de produtos adulterados.

O texto da medida aprovada hoje libera ainda a venda de etanol das usinas diretamente para os postos. Com isso, se os impostos sobre o produto eram recolhidos pelas distribuidoras, agora passarão diretamente para as usinas.

A alta nos preços dos combustíveis bateram recordes em 2021, minando a popularidade do governo Bolsonaro. O presidente até cortou impostos federais sobre o diesel e do gás de cozinha, mas a medida não refletiu na precificação final dos produtos.

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Com a alta nas refinarias, a recuperação do preço do petróleo e a desvalorização cambial – indicadores utilizados pela Petrobras na política de preços – acabou engolindo qualquer desconto feito pelo governo federal.