Durante depoimento nesta quinta-feira à CPI da Covid-19, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), negou que tenha qualquer relação pessoal com Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, que negociou contrato para a venda da vacina Covaxin ao governo, e também da empresa Global, que aplicou calote no Ministério da Saúde quando o deputado era ministro.
Ao ser questionado pelo pagamento antecipado, quando era ministro, de R$ 20 milhões para a Global – que não cumpriu o contrato e o cronograma de entrega de documentos – o parlamentar afirmou que o pagamento era legal, alegando que há uma portaria que prevê tal prática em casos envolvendo decisões judiciais. Barros também afirmou não ter responsabilidade pela morte de pacientes portadores dessas doenças.
“Não se relacionam as mortes com a falta dos medicamentos. Fomos a 400 pessoas que tinham liminar e muitas foram a óbito mesmo com o medicamento. Eles [medicamentos] não curam, apenas melhoram a qualidade de vida”, afirmou.
Com relação à negociação para compra da vacina Covaxin, Barros afirmou que não participou do processo e nem foi procurado por representantes da empresa.
“Em nenhum momento ninguém ligado a esse laboratório me procurou para auxiliar na venda de vacinas para o Brasil, que é um objetivo de todos nós. Mas nesse caso nunca fui procurado”, disse.
Entre outros assuntos levantados, o líder do governo foi questionado sobre a tentativa de receber novamente o pagamento antecipado. Ele respondeu que deve ser o “modus operandi da empresa”, e que tentou em mais de uma gestão no Ministério da Saúde.
Barros negou que a emenda visasse a favorecer a vacina indiana Covaxin, intermediada pela Precisa Medicamentos. “Fiz a proposição porque a Índia é a maior fabricante de vacinas no mundo, para que os estudos clínicos feitos lá pudessem ser aproveitados pela Anvisa e pelo governo federal”, argumentou.
