Duda Mendonça, ex-publicitário do PT, morre aos 77 anos

Marqueteiro estava internado desde junho no Hospital Sírio-Libanês

Duda Mendonça morre aos 77 anos

Duda Mendonça morre aos 77 anos | Victor Moriyama/Folhapress

O publicitário baiano, famoso por realizar campanhas políticas vitoriosas, Duda Mendonça morreu aos 77 anos nesta segunda-feira (16), em São Paulo.

Continua após a publicidade

Duda Mendonça tratava de um câncer no cérebro e foi diagnosticado com Covid-19, segundo informações do Globonews. Ele deixa quatro filhos e a esposa, Aline Mendonça.

Através do twitter, figuras políticas ligadas ao publicitário como o ex-presidente Lula e o governador da Bahia, Rui Costa (PT) se manifestaram sobre a morte.

Lula comentou: “Duda Mendonça foi um gênio da comunicação política. O seu trabalho na campanha de 2002 já está na história como uma das campanhas mais bonitas e sensíveis da nossa história.”

Continua após a publicidade

Já Rui Costa lamentou a partida de quem teve o talento reconhecido no Brasil e no mundo.


Sucessos e escândalos

Durante sua trajetória, Duda Mendonça foi reconhecido em 1992 quando trabalhava para melhorar a imagem de Paulo Maluf (PP), o ajudou a levá-lo à vitória nas eleições para prefeito de São Paulo naquele ano.

Continua após a publicidade

Mas a sua maior façanha foi ter trabalhado na primeira campanha eleitoral à presidência da República que Lula venceu em 2002. Seu slogan criado na época é repetido até hoje, ‘Lulinha paz e amor”.

Duda também incorporou outras campanhas de destaque como a de Ciro Gomes (PDT), no Ceará, Miguel Arraes, em Pernambuco, Paulo Skaf (MDB), em São Paulo, e até com o ex-primeiro-ministro de Portugal, Pedro Santana Lopes.

Ligado ao Partido dos Trabalhadores no primeiro mandato de Lula, Duda Mendonça acabou ligado a polêmicas ao lado do presidente, como no caso do Mensalão. Sua imagem acabou arranhada quando acusado de usar uma offshores nas Bahamas para receber pelos serviços prestados ao partido.

Continua após a publicidade

Em 2005, ele confessou à CPI dos Correios ter recebido, via caixa 2, um total de R$ 10,5 milhões pela campanha que elegeu Lula. O crime, no entanto, seria o de sonegação fiscal e não o de lavagem de dinheiro, segundo sua defesa. Por essa razão, pagou ao fisco R$ 4,8 milhões.

Apesar de ter virado réu, Duda acabou acabou absolvido em 2012 pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por falta de provas.

O publicitário voltou aos holofotes em 2016 ligado a uma Operação que a Lava Jato fazia sobre a suspeita dele ter recebido R$10 milhões para o grupo político do então presidente Michel Temer (MDB).

Continua após a publicidade

Em 2017, Duda Mendonça assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal em que revelava supostas irregularidades na contratação de gráficas na campanha de Dilma Rousseff (PT), em 2014.