Doria descumprir promessa não é mais notícia, ironiza Márcio França

De Olho no Poder: os fatos da política de São Paulo na visão do jornalista Bruno Hoffmann

Márcio França

Márcio França | Fernanda Luz

Márcio França (PSB) é conhecido pelo tom conciliador e pragmático, mas não costuma perder oportunidade de alfinetar o governador João Doria (PSDB), seu principal adversário político. Nesta quinta-feira (30), a “Folha de S. Paulo” publicou, em reportagem assinada pelo jornalista Joelmir Tavares, que Doria descumpriu a promessa de campanha de reduzir as secretarias estaduais de 25 para 20 – pelo contrário, hoje o montante de pastas chega a 27. França escreveu: “O fato de Doria descumprir uma promessa não é nem mais notícia. É rotina. Basta notarmos os aumentos de impostos, pedágios e a desvalorização do serviço público. Uma pena para os paulistas que acreditaram no ‘BolsoDoria’”. Não é de hoje que Doria é apontado por não seguir o que diz de forma satisfatória. Quando o tucano deixou a Prefeitura de São Paulo para concorrer ao governo, em abril 2018, o portal “R7” recordou 90 promessas de campanha, e viu que ele só havia cumprido 19 como prefeito. Já 35 não foram cumpridas, enquanto 36 ele deixou em andamento, para ser finalizada (ou não) pelo vice.

Armamento à GCM

Após a Prefeitura de São Paulo receber uma série de críticas pelo fato da Guarda Civil Metropolitana (GCM) ter armamentos considerados obsoletos, a gestão Ricardo Nunes (MDB) entregou 10 fuzis e 25 carabinas para a corporação. A verba de R$ 400 mil foi liberada em agosto pelo prefeito por meio de uma emenda indicada pelo vereador Delegado Palumbo (MDB). “Faço o que posso dentro das minhas possibilidades de valores de emendas parlamentares. No ano que vem destinarei mais verbas para a Guarda Civil Metropolitana, mas o que eles precisam mesmo é de uma valorização salarial. O salário deles está muito baixo, muito aquém daquilo que eles deveriam ganhar”, explicou Palumbo à coluna.

Chapa da discórdia

A chapa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (sem partido) para concorrer à Presidência em 2022 não é unanimidade dentro do PT. Entre os que se opõem à ideia estão os ex-presidente da legenda Rui Falcão e José Genoino e o presidente do diretório paulista, Luiz Marinho. “O que está em jogo é se a esquerda socialista será protagonista do enfrentamento do neoliberalismo ou se a esquerda será domesticada”, disse Genoino nesta semana, em live com integrantes do PSOL.

Andanças

O governador em exercício Rodrigo Garcia (PSDB) – o titular João Doria está em licença até o dia 2 de janeiro – andou pelo Estado nos últimos dias participando de eventos e inaugurações. As andanças foram usadas como estratégia para começar a popularizar o nome de Garcia, que será o candidato tucano ao governo paulista nas próximas eleições. Ele participou, por exemplo, das inaugurações de uma estação do Metrô na Capital, do novo Poupatempo de Ubatuba e de Presidente Prudente e do anúncio de repasse para a Santa Casa de Sorocaba e para o Hospital Regional do Litoral Norte, em Caraguatatuba.

Fim da gratuidade

A Prefeitura de Guarulhos retirou na última quarta-feira (29) o direito de idosos de 60 a 64 anos de terem gratuidade nos ônibus municipais. O projeto foi proposto pelo prefeito Guti (PSD), e sancionado após a aprovação da Câmara de Vereadores, e não afetará quem já tem o benefício em vigor. Os munícipes se revoltaram pelas redes sociais. “O cidadão idoso brasileiro não tem um dia de paz. Você se dedica e trabalha pela cidade e ganha um presente desse no final do ano: fim da gratuidade”, escreveu um morador, pelo Twitter. “Inacreditável. Cobram do povo mas não tem melhoria nenhuma no sistema”, escreveu o produtor musical Ecologyk.