O presidente do PSDB, Bruno Araújo, busca obter o aval da executiva do partido nesta terça (17) para dar seguimento a um acordo com o MDB sobre a candidatura da terceira via que, na prática, isola o ex-governador de São Paulo João Doria dentro da sua própria legenda.
O movimento de Araújo é uma reação à carta em que Doria ameaça ir à Justiça caso o acordo costurado com o MDB o impeça de participar da disputa presidencial deste ano.
O acerto prevê que os dois partidos escolherão um candidato único – Doria ou a senadora Simone Tebet (MDB) – com base em uma pesquisa a ser apresentada na quarta (18). Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, os dois partidos estabeleceram um roteiro para lançar a emedebista e enterrar a candidatura de Doria.
Em resposta a isso, Doria divulgou a carta endereçada a Araújo, no sábado (14), cobrando que o presidente do PSDB respeite as prévias vencidas pelo ex-governador em novembro e o lance candidato a presidente.
Da parte de aliados do ex-governador, o resultado da reunião é minimizado e a estratégia de judicializar a questão é cogitada. A avaliação é que, no final das contas, PSDB e MDB lançarão candidaturas separadas.
Na análise de Doria, a escolha de um candidato foi superada pelas prévias e o estatuto do PSDB obriga os tucanos a lançá-lo ao Planalto na convenção partidária, entre julho e agosto. O entorno do ex-governador quer aguardar o desfecho da reunião para avaliar se será necessário recorrer à Justiça Eleitoral com a tese de que a executiva não tem poderes para ignorar as prévias.
À reportagem o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu que outros nomes do partido sejam levados à convenção como possíveis presidenciáveis. O parlamentar quer uma candidatura própria tucana, mesmo que com poucas chances de êxito na eleição.
Segundo parlamentares, na reunião desta terça Araújo precisa avaliar se ainda tem a autorização da executiva para negociar com o MDB; ou se a cúpula do partido pensa como Doria. O resultado pode ser que a executiva nacional do PSDB e as bancadas no Congresso Nacional, em sua maioria, desautorizem Doria.
Ao convocar a executiva, Araújo mencionou que as negociações com o MDB tiveram início “com a notória anuência” de Doria, além da autorização da executiva e das bancadas.
Entre os argumentos de Doria estão o de que ele pontua à frente de Tebet (3% contra 1% na pesquisa Quaest da semana passada) e o de que a candidatura da emedebista pode acabar derrubada pelo MDB, que tem alas divididas entre apoiar Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Tebet, por sua vez, declarou nesta segunda (16) que recorrer à Justiça é um “direito” de Doria. Mas a aliados ela afirma acreditar que a judicialização tem pouco efeito prático, sob o argumento de que a Justiça tem evitado entrar em questões internas dos partidos.
Em evento nesta segunda, Tebet afirmou que será a candidata de seu partido se o resultado da pesquisa indicar que ela é o nome mais competitivo.
