Copa, bifes de ouro e política

Neste turbilhão de informações quem sofre é o brasileiro, que além das altas emoções dos jogos e de não comer bifes frequentemente, aguarda definições de seus políticos

Temos uma Copa do Mundo em pleno final de ano

Temos uma Copa do Mundo em pleno final de ano | Lucas Figueiredo/CBF

Vivendo um mês de dezembro totalmente ímpar. Caso estivéssemos em ano “normal”, estaríamos no clima de confraternização da empresa, do almoço de Natal da família e entre outros. Na verdade, hoje, o amigo secreto está na mesma lista do bolão do jogo do dia, 2022 está diferente.

Tivemos a primeira contestação pública contra o resultado das eleições, no caso dos perdedores, mas nem todos, somente os que seguiam o presidente Jair Bolsonaro (PL), pois os demais não eleitos, mesmo sendo do mesmo partido do Messias, não ousaram contestar as urnas. Não bastasse uma tumultuada campanha dando a vitória a Lula (PT), que há pouco tempo estava preso e tido como o vilão nacional, o maior torneio do futebol mudou de data.

Temos uma Copa do Mundo em pleno final de ano. Meio período de trabalho, churrasco na segunda-feira, o brasileiro vai se adaptando a uma agenda inesperada.

No Catar, país sede, embora seja um Estado denominado religioso, todo o tipo de luxo é apresentado ao mundo. Alguns de nossos craques foram experimentar a tal carne folheada a ouro. Iguaria deles, mas uma afronta a origem e a carestia que vive o Brasil. Padre Júlio Lancelotti reclamou. Redes sociais divididas.

Em terras brasilis, Bolsonaro está isolado, com poucos eventos externos, sem motociatas, sem “lives”, tudo começa ficar no passado. Em sua mímica facial, a expressão de tristeza ou de desespero são claras. As  Forças Armadas não embarcaram em um golpe militar.

Neste turbilhão de informações quem sofre é o brasileiro, que além das altas emoções dos jogos e de não comer bifes frequentemente e nem de longe filés com ouro, aguarda definições de seus políticos, mas pelo jeito, tudo ficou para depois da copa, depois da posse, depois do ano novo. De fato, somos o país do “futuro” e do futebol.