Prefeitura de SP desiste de instalar zona azul em calçadões do centro

Gestão municipal anunciou que vai instalar vagas de zona azul apenas em vias já abertas para carro em volta do Theatro Municipal

Theatro Municipal de São Paulo

Theatro Municipal de São Paulo | Fabiana Stigg

A Prefeitura de São Paulo anunciou que 77 vagas de zona azul em volta do Theatro Municipal, no centro, vão entrar em operação nesta quarta-feira. Os espaços serão instalados em vias já abertas para carros.

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Desse modo, a prefeitura recuou – pelo menos por enquanto – de instalar estacionamento para veículos em calçadões exclusivos para pedestres no entorno do equipamento cultural. Inicialmente, a gestão Ricardo Nunes (MDB) havia anunciado a criação de 275 vagas, grande parte nos calçadões das ruas Barão de Itapetininga, Conselheiro Crispiniano e Marconi.

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“Pelo período de testes de 60 dias, apenas as vagas que se localizam nas vias destinadas à circulação de veículos, nas imediações do Theatro, funcionarão. As vagas localizadas nos calçadões das ruas Barão de Itapetininga, Conselheiro Crispiniano e Marconi permanecerão inativas”, informou a prefeitura, em nota.

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Ainda de acordo com a prefeitura, durante esses 60 dias a gestão vai acompanhar as vagas de zona azul no entorno do teatro nas noites de espetáculos, “e avaliar se existe uma demanda reprimida para ser atendida”.

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As 77 vagas estão localizadas nas ruas Xavier de Toledo, 24 de Maio e no Viaduto do Chá e poderão ser utilizadas entre 18h e 2h, por meio do aplicativo da Estapar. Do total, duas serão destinadas exclusivamente às pessoas com deficiência e quatro para idosos. Por se tratar de uma zona azul especial, um crédito CAD dará direito a 2 horas de estacionamento e dois créditos a 4 horas.

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Entenda a polêmica

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A Prefeitura de São Paulo anunciou em 19 de janeiro que iria abrir 275 vagas de estacionamento de zona azul nos calçadões no entorno do Theatro Municipal para frequentadores noturnos do equipamento cultural.

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A intenção era a de oferecer as vagas no período entre 19h e 2h. 

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A medida causou polêmica entre especialistas de mobilidade urbana. Pelo Twitter, o geógrafo e coordenador de Mobilidade do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Rafael Calabria, disse que a medida é uma “estupidez”.

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“Não dá pra acreditar no nível de estupidez da Prefeitura de São Paulo querer carro e estacionamento nos calçadões históricos do centro! Incentiva o carro, o trânsito, a poluição! Ignora pedestres e pessoas com deficiência. E a gestão tem a cara de pau de ir na COP fazer pose…”, escreveu ele, pelo Twitter, nesta quarta-feira, após postar uma foto da rua Marconi com as marcações no solo.

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No dia seguinte, ao receber as informações da prefeitura sobre o que estava sendo feito, escreveu: “A CET assumiu que quer estimular o uso de carro no centro, contra todas as leis e a tendência internacional. Veio com a desculpa de que é só a noite… Aí, com menos pedestres os carros vão mais rápido gerando mais atropelamentos… Patético”.

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Para Rodrigo Faria Iacovini, do Instituto Polis, a medida iria piorar a qualidade de vida de quem passa pela região central.

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“A vida no centro já tem sido muito difícil nos últimos anos, mas a Prefeitura de São Paulo parece comprometida em piorar. Não existe nada que justifique reduzir a fruição do pedestre”, escreveu ele.

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De acordo com a Secretaria de Mobilidade e Trânsito (SMT) e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), seriam 275 vagas ao total: 200 na Alameda Barão de Itapetininga e nas ruas Conselheiro Crispiniano e Marconi e mais 75 em vias do entorno.

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As vagas poderiam ser utilizadas entre 19h e 2h, por meio do aplicativo da Estapar.

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“Haverá orientação dos condutores para que o acesso seja restrito às vagas, para o momento de chegada e saída, não sendo permitida a circulação veicular nos calçadões em nenhuma outra circunstância. Por se tratar de uma Zona Azul especial, um crédito CAD dará direito a 2h de estacionamento e dois créditos a 4h”, informou a gestão municipal, em nota enviada à Gazeta.

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Ainda de acordo com a prefeitura, a medida levaria em consideração a baixa circulação de pedestres pelos calçadões do centro no período noturno e a alta demanda por vagas de estacionamento do público do teatro em dias de apresentações.

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“A implantação das vagas de Zona Azul não tem nenhuma relação com as obras de requalificação dos calçadões do centro, em andamento na região do Triângulo Histórico, compreendida entre o Largo São Francisco, o Largo São Bento e a Praça da Sé”, completou a gestão Ricardo Nunes (MDB).