A ‘Prisão das Moças’ em 1928

Indiscutivelmente aqueles velhos tempos eram criativos, poéticos e muito românticos

Imagem ilustra esta matéria mostra como era desenvolvida a brincadeira da "Prisão das Moças", em 1928, na pequena, pacata e romântica cidade de Porto Feliz

Imagem ilustra esta matéria mostra como era desenvolvida a brincadeira da "Prisão das Moças", em 1928, na pequena, pacata e romântica cidade de Porto Feliz | Domínio público

A foto que ilustra esta matéria mostra como era desenvolvida a brincadeira da “Prisão das Moças”, em 1928, na pequena, pacata e romântica cidade de Porto Feliz.

Os saudosos tempos da década de 1920 representam uma época de renovação de valores e de liberação da mulher, marcada por festas grandiosas e conquistas importantes, especialmente aquela que concedia às mulheres de boa parte do mundo ocidental, o direito de votar, fato considerado como um grande feito para aquele período.

Naqueles velhos tempos ocorreram expressivas mudanças na moda e nos costumes sociais, pois as mulheres deixaram de lado os seus antigos espartilhos e passaram a usar cabelos curtos, pálpebras pintadas de cor escura, lábios vermelhos, vestidos na altura dos joelhos e meias na cor da pele.

O jazz era o ritmo que mais influenciava a juventude e o cinema despontava como o principal lazer de multidões, com seus filmes mudos e legendados, cuja projeção era acompanhada de música ao vivo produzida por uma pequena orquestra ou por um piano.

Nos áureos e poéticos momentos da década de 1920 a juventude porto-felicense promovia, por ocasião dos festejos da Padroeira Nossa Senhora Mãe dos Homens, uma atraente brincadeira que se tornou famosa e conhecida como “A Prisão das Moças”, cujo palco era a majestosa Praça da Matriz, hoje a Praça Dr. José Sacramento e Silva, ou então o passeio público ao lado da igreja.

Nessa brincadeira algumas moças eram “presas” e recolhidas em uma espécie de gaiola feita de bambus entrelaçados e os moços, evidentemente muito cordiais, ao apreciarem o “presídio”, pagavam o preço cobrado pela liberdade de uma das jovens. O procedimento de cada um dos rapazes era considerado, obviamente, como uma reverência toda especial em relação às moças por eles libertadas.

A importância arrecadada nessa simples e tão saudável brincadeira, era destinada para as obras assistenciais ou então para os festejos da igreja. Ressalte-se, todavia, que o ato de libertação das moças por obra e graça da gentileza dos rapazes resultava, muitas vezes, no início de um belo namoro e até mesmo em casamento!

Indiscutivelmente aqueles velhos tempos eram criativos, poéticos e muito românticos! Foi um dia na história passada / Desta gente que alegre se diz / Monçoeiros que daqui partiram / Encheram de glórias o Porto Feliz!