“É uma mistura de tênis de mesa com o futebol e que conta com fundamentos do futevôlei”. É assim que a atleta Vânia Moraes da Cruz define o Teqball. Em entrevista ao Diário do Litoral, a santista explicou as nuances do esporte e a expectativa de representar o Brasil, sob as cores do Vasco da Gama, no mundial disputado na Tailândia, entre os dias 29 de outubro e 4 de novembro.
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Apesar de ter ganhado forma como esporte oficialmente há pouco tempo, apenas em 2014, o Teqball vem se tornando uma modalidade com bastante fãs. Segundo a própria jogadora, o número de adeptos e até mesmo de profissionais está crescendo.
“O TeqBall é um esporte que vem ganhando muita popularidade, principalmente no Brasil. Vemos muita gente querendo entender e praticar o esporte. É desafiador e divertido, bom para quem quer um novo hobby esportivo, ou até mesmo se profissionalizar”, explicou.
Dentro das regras oficiais do Teqball, que também é conhecido como mesabol e futmesa no território brasileiro, a bola precisa ser tocada em uma mesa curva antes de passar para o outro lado. A ação de ataque e defesa podem ser feitas com qualquer parte do corpo, exceto as mãos, e devem seguir a lógica de três toques, algo semelhante ao vôlei. Além disso, existem três categorias: solo, duplas e trios.
O mundial do esporte,que acontece na Tailândia, entre os dias 29 de outubro e 4 de novembro, tem partidas de 3 sets de 12 pontos, padrão de pontuação usado no mundo.
Em busca do título
A classificação para o torneio chegou após um longo período de competições em solo nacional. Para a Vânia, a sensação de chegar a esse nível é a melhor possível.
“É uma alegria muito grande chegar nesse mundial. É todo um trabalho duro que está sendo recompensado e poderemos disputar com os melhores do mundo, o que sempre ajuda muito na evolução pessoal”, conta.
Além disso, a atleta deixou claro que o grande objetivo da sua vida é sair do país asiatico com um título.
“Vai ser uma experiência ótima, mas quero o título mundial também, pois estaremos representando não só nosso sonho, ou o Vasco, seremos representantes do Brasil e isso é uma honra para nós”, disse.
O circuito do Campeonato Brasileiro funciona com diversas etapas ao longo de todo o ano. O acesso ao torneio e a chance de representar o Brasil chega apenas para a equipe que terminar em primeiro na tabela geral.
Vania representa as cores do Vasco da Gama. A jogadora recebeu o convite do clube carioca e foi uma das pioneiras da modalidade no clube. Por jogar em duas categorias distintas, a mista e a duplas femininas, o seu planejamento de treinamentos para a competição é bem elaborado.
“Contamos com uma equipe multidisciplinar bem grande. Trabalhamos junto com a WPS, um estúdio aqui de Santos especializado na preparação de atletas, lá eu treino com Vanessa Monte Bello, que é uma das maiores especialistas nessa área. A Paty Nardy que é nossa coach e a Bruna Musa que é nossa psicóloga. Treinamos arduamente, pelo menos, dois períodos todos os dias. A minha dupla no feminino, Ester Viana, mora em BH, e Leo Lindoso no Rio de Janeiro, então vem para cá pelo menos três vezes no mês para fazermos um intensivo e assim vai dando certo. O empenho é muito grande, mas vale a pena”, explicou.
Início na modalidade
O Teqball ganhou espaço na história de Vânia de um jeito nada convencional. A jogadora era uma referência no Futevôlei, mas recebeu um convite irrecusável.
“Originalmente, sou atleta de futevôlei e era referência no esporte, sendo Campeã
Mundial e sul-americana, Paulista entre outros títulos. Mas quando surgiu o convite do meu atual parceiro Léo Lindoso, que já conhecia o esporte na época, para disputar a vaga do mundial 2021 eu aceitei. A princípio era uma modalidade desconhecida até para mim, mas gosto de desafios e me dediquei muito no TeqBall também. Cheguei a ser vice-campeã mundial, 2021 na Polônia e em 2022 na Alemanha, junto com o Léo Lindoso e ali decidi me dedicar muito ao esporte. E hoje temos uma equipe muito preparada, vai desde a parte física, até psicóloga e nos cobramos muito para estarmos em alto nível”, explicou.
Apesar da certeza em migrar de esporte, a jogadora precisou convencer a família que a decisão era a correta. No início da sua trajetória, seus parentes tinham muita dificuldade em entender as regras do esporte, mas logo as coisas foram se acertando.
“Inclusive, minha irmã, meu cunhado, minha esposa me acompanham nas competições. Recentemente disputamos um campeonato de nível mundial no Rio de Janeiro e eles estavam comigo torcendo por mim e isso é muito legal. Agora no Mundial, vou levá-los também, para me apoiarem, vai ser uma experiência incrível”, disse.
Santista de nascimento, ela explicou que nascer em um dos berços do futebol e de tantos outros esportes tem uma influência muito grande em seu estilo de jogo.
“Santos é um dos lares do esporte brasileiro. Uma cidade que é muito boa para quem quer começar, tanto no futebol, quanto em outros menos populares. Acho que ter nascido aqui, ajudou muito, é um berço de grandes craques e por isso conseguimos evoluir tanto e estamos caminhando bem na popularização deste novo esporte” finalizou.
