Carmen Miranda: Ícone luso-brasileira completaria 115 anos em 2024

Primeiro grande símbolo internacional da história do Brasil, a artista, portuguesa de nascença, faria 115 anos em 9 de fevereiro deste ano

Carmen Miranda completaria 115 anos em 2024

Carmen Miranda completaria 115 anos em 2024 | Reprodução

Uma das primeiras pessoas na história brasileira a fazer sucesso internacional, completaria 115 anos nesta sexta (9): trata-se de Carmen Miranda. A cantora, atriz e dançarina luso-brasileira marcou época no País e ficou conhecida no mundo como “Brazilian Bombshell” (Brasileira sexy, em português) e “Pequena Notável”. Nascida em 9 de fevereiro de 1909, veja abaixo detalhes da trajetória da artista.

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Paixão por música

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Portuguesa de nascimento, Carmen se mudou com menos de um idade de idade para o Brasil. Crescida no Rio de Janeiro e naturalizada brasileira, desistiu dos estudos em um colégio de freiras aos 15 anos de idade para trabalhar na La Femme Chic, empresa que confeccionava chapéus e se apaixonou por moda. Usando turbantes, argolas, pulseiras e mais acessórios “únicos”,  nascia ai uma marca registrada da jovem. Informações de época afirmam que ela foi demitida por cantar demais durante o serviço.

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Carmen Miranda não se chamava Carmen

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O nome de nascença da artista era Maria do Carmo Miranda da Cunha, mas, o “Carmo” foi virando “Carmen” pelas pessoas em sua volta até que ela iniciou sua carreira adotando oficialmente o nome de “Carmen Miranda”

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Início da carreira

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Com uma paixão e sonho de se tornar uma grande atriz e cantora, nas horas vagas cantava e dançava em pequenas festas. Em 1929, foi apresentada ao compositor Josué de Barros que, impressionado, a levou para se apresentar em teatros e clubes.

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Sua estreia como cantora ocorreu no mesmo ano, na Rádio Sociedade. Gravou seu primeiro disco com as músicas “Triste Jandaia” e “Iaiá, Ioiô”. Seu primeiro grande sucesso veio com a marcha canção “Pra Você Gostar de Mim” (1930), que ficou conhecida por “Tai”, sendo um recorde de vendas, escrita especialmente para ela por Joubert de Carvalho.

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Ainda no ano de 1930, no dia 30 de outubro, Carmen Miranda já estava fazendo sua primeira turnê internacional, pela Argentina, em Buenos Aires, com 40 músicas. Entre 1933 e 1938, retornou à Argentina mais oito vezes e ganhou por lá o apelido de “Carmencita”.

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Em 1933, foi a primeira mulher a assinar um contrato com uma rádio.

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Outro de seus maiores sucessos foi a música “Mamãe Eu Quero” de 1939, no clássico “Mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar, dá a chupeta, dá a chupeta, dá a chupeta para o neném não chorar”.

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Carreira no cinema brasileiro

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Sua fama na música lhe abriu portas para a atuação em filmes musicais, que se baseavam no carnaval brasileiro. “Carnaval Cantado no Rio” (1932) e “Alô Alô Brasil” (1933) foram dois desses filmes.

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Após outros trabalhos no cinema, Carmen protagonizou o filme “Estudantes” (1935), no qual a atriz teve papel narrativo. Na história, Carmen protagoniza uma cantora de rádio que se apaixona por um estudante universitário, interpretado pelo ator Mário Reis.

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O último filme brasileiro de Carmen foi “Banana da Terra” (1939), outro musical carnavalesco com um toque cômico. Essa produção foi a porta de entrada para a artista no cinema do exterior. Nele, há a cena icônica de Carmen caracterizada como baiana cantando seu sucesso “O Que é Que a Baiana Tem?”.

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Chegada na Broadway

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Em 1939, durante seu auge no Brasil, foi convidada para estrear internacionalmente nos cinemas, na Broadway. Ela recebeu ótimas críticas em sua atuação na obra “Ruas de Paris”. Sua ida para os EUA esteve relacionada a um acordo amigável entre os países na época da segunda guerra mundial. 

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O personagem Zé Carioca, da Walt Disney, também foi uma criação relacionada a esta relação de amizade. Carmen e Zé aparecem, inclusive, na animação Você já foi à Bahia?, de 1944.

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Sua estreia em Hollywood foi em 1940 com o filme Serenata Tropical, da 20th Century-Fox, no auge das produções de sucesso da época.

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Ao todo, além dos vários discos gravados, foram seis filmes no Brasil (entre 1932 e 1938) e 14 filmes nos Estados Unidos (entre 1940 e 1952) – sendo 10 deles produzidos pela Fox. Dentre esses, os mais famosos são: Entre a Loura e a Morena (1943), Uma Noite no Rio (1941) e O Príncipe Encantado (1948).

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Após o fim da 2ª guerra mundial e com as companhias de Hollywood perdendo o interesse em profissionais latino-americanos, Carmen passou para papéis secundários e de cada vez menos relevância.

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Sua carreira musical, entretanto, continuou sólida, mesmo durante a perda de espaço no cinema, sendo uma atração popular nas casas noturnas e na televisão. Até o fim da vida, Carmen realizou diversas turnês pelos Estados Unidos e Europa. 

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Casamento, fim do auge e morte

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Após viver vários breves romances, Carmen conheceu durante as filmagens do filme Copacabana (1947) a pessoa com quem iria casar: futuro marido David Sebastian (1908-1990), assistente de produção do filme. O matrimônio ocorreu ainda em 1947 e é apontado pelos biógrafos da artista como o início de sua decadência. Além de David virar o seu empresário, ele era viciado em bebidas e incentivou Carmen em sua dependência em alcoólicos. Logo, ainda segundo os biógrafos, o relacionamento ficou marcado por ciúmes excessivos, brigas e traições, mas nunca chegaram ao divórcio – algo que a artista não aceitava, devido a sua religião.

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Aos 39 anos e já com o organismo fragilizado com medicamentos- anfetaminas e barbitúricos (remédios para insônia) –, álcool e trabalho incessante, Carmen deixou de lado o sonho de ser mãe após ter um aborto espontâneo depois de uma apresentação, acarretando na esterilidade e que agravou ainda mais a sua depressão.

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Com uma agenda lotada de espetáculos e gravações, Carmen foi mostrando sinais de exaustão. Até que, no dia 5 de agosto de 1955, ela foi encontrada morta em sua casa em Beverly Hills, Los Angeles, aos 46 anos, vítima de um colapso cardíaco, após filmar para o programa de televisão The Jimmy Durante Show.

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Carmen é conhecida até os dias atuais como a principal responsável pela divulgação do samba mundo afora. Na sua extensa lista de conquistas, consagrou-se como a única luso-brasileira, até hoje, a gravar as mãos na calçada da fama do Grauman’s Chinese Theatre em Los Angeles.