O climatologista e presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, revelou, nesta quinta-feira (26/9) em entrevista à Rede TV, que será “impossível continuar sobrevivendo em alguns estados do Brasil”.
Segundo ele, o País deve agir urgentemente para conter as queimadas e a crise climática, caso contrário a sobrevivência dos brasileiros pode ser colocada em risco.
“Há vários projetos tramitando para dar uma proteção maior para o Cerrado. O que se precisa obviamente é que se tenha esse olhar, um olhar sobretudo conciliatório. Ninguém está dizendo que é para parar de produzir. O que a gente quer é um bom planejamento do nosso território e que as nossas áreas mais importantes obviamente sejam preservadas até para nossa própria sobrevivência”, declarou o presidente do Ibama.
Como reflexo da gravidade da situação das queimadas no Brasil, satélites da NASA identificaram fumaças a 1,5 milhões de quilômetros da Terra.
Rodrigo Agostinho ainda esclarece que para lidar com mudanças climáticas é preciso de tempo e de incentivos para o aumento das áreas verdes.
“Quanto mais ambiente natural nós temos, mais resiliente vamos ser para as mudanças climáticas. Precisamos ter muita responsabilidade, porque as mudanças climáticas não são reversíveis no curto prazo”, completou o entrevistado.
6°C a mais
Diferente do que se especula mundo afora, o presidente do Ibama relata que o Brasil, por estar localizado na faixa tropical, pode sofrer um aumento de 6°C na temperatura.
“Quando o mundo inteiro fala que a previsão era que em 2040 a gente chegasse a 1,5°C de temperatura a mais, é um grau de temperatura média. Já estamos nos últimos 15 meses seguidos ultrapassando esse um grau e meio e quando fala 1,5°C para as áreas tropicais, estamos falando de aumento que pode chegar a 6°C. Isso para o Brasil inviabiliza estados brasileiros inteiros, é como se fosse impossível continuar sobrevivendo em alguns estados do Brasil”, disse o presidente do Ibama.
Aumento comprovado
Para representar esse aumento, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) fez um levantamento da temperatura média de 2022 e 2023, indicando que, de um ano para o outro, a temperatura no Brasil aumentou em 0,85°C, de 24,07°C para 24,92°C.
Na mesma linha, grupos internacionais como World Weather Attribution, Climate Central e do Centro Climático da Cruz Vermelha fizeram uma análise indicando que, entre junho de 2023 e abril de 2024, o Brasil teve 83 dias a mais de calor extremo.
Ainda segundo a pesquisa, dos 169 países estudados foi tirada uma média de 26 dias a mais, três vezes menor do calor visto no Brasil.
