Após investigação, a Polícia Civil revelou que a morte do adolescente Henrique Marques de Jesus, de 16 anos, em Jericoacoara (CE), foi motivada pelo desenho da camisa que ele vestia e não pelo gesto feito na foto postada nas redes sociais.
O crime tem relação com a rivalidade entre facções criminosas, mas, segundo a polícia, não foi desencadeada pelo gesto das mãos que o jovem fez nas fotos, conforme indicava a suspeita inicial.
O delegado do caso, Júlio Morais, informou ao portal Metrópoles que ao apurar o caso os investigadores descobriram que o adolescente usava uma camisa com o símbolo de uma facção rival a do grupo que o abordou e isso teria motivado o crime.
Segundo o delegado, os depoimentos dos suspeitos apreendidos até o momento coincidem com as circunstâncias do crime.
Entre os sete suspeitos, dois, menores de 18 anos, já foram apreendidos, enquanto um terceiro aguarda decisão judicial para oficializar a internação.
Eles contaram em depoimento que o adolescente foi até o ponto de venda de drogas e, ao chegar lá, chamou a atenção dos traficantes pela blusa que vestia.
“O Henrique não faleceu em virtude de ter feito um símbolo numa postagem no Instagram. Ele faleceu porque chamou a atenção dos criminosos por estar vestindo uma blusa, que teria um símbolo ou desenho relacionado a um grupo criminoso rival. A partir disso, os criminosos, supostamente, o julgaram integrante do tal grupo e mexeram no celular dele para buscar mais informações”, diz Júlio.
Desenho proibido
O delegado disse que a camisa usada por Henrique não foi encontrada, assim como o celular dele desapareceu. Em depoimento, os suspeitos disseram que o desenho na camisa era de uma meia-lua.
Eles ainda disseram que encontraram no celular da vítima imagens de armas, motos e supostos grupos de WhatsApp com referências ao grupo rival.
“Não temos absoluta certeza dessas informações. Não tivemos acesso ao celular da vítima. Ele nunca foi encontrado. A polícia crê nessa informação, porque não houve contradição das testemunhas e ela veio dos próprios envolvidos. Não tem como atestar que ela seja verídica, mas eu acredito que seja”, afirma o delegado.
Em Jericoacoara, a facção Comando Vermelho (CV) comandaria a área, enquanto, segundo os suspeitos, Henrique faria parte da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entenda o caso
Moradores de Bertioga, no litoral de São Paulo, o adolescente Henrique Marques de Jesus, de 16 anos, estava em viagem de férias a Jericoacoara, com o pai, o empreiteiro de obras Danilo Martins de Jesus, de 33 anos.
Na noite do crime, o adolescente voltou sozinho para o hotel onde estava hospedado, afirmando que iria descansar e carregar o celular. Horas depois, o pai chegou ao hotel e não encontrou o filho lá. Então, começou a procurá-lo, mas sem sucesso.
Na manhã do dia 17 de dezembro, ele voltou ao comércio onde ele e o filho haviam estado no dia anterior, e ao analisar as imagens das câmeras de segurança, viu o filho ser rendido e arrastado por sete pessoas.
O corpo de Henrique foi encontrado no dia 18 de dezembro, em um ponto próximo à Lagoa Negra, em uma área afastada do centro da vila.
Três dos suspeitos são maiores de 18 anos. A polícia continua em busca pelos demais suspeitos identificados, que continuam foragidos.
