Brasileiro peita gigantes e cria carro de luxo com produção nacional em larga escala

Conheça os Miura, os esportivos nacionais que foram sinônimo de luxo e inovação

Descubra a trajetória dos Miura, carros que uniram exclusividade e tecnologia nos anos 80

Descubra a trajetória dos Miura, carros que uniram exclusividade e tecnologia nos anos 80 | Reprodução/RBS TV

Nos anos 80, enquanto as crianças sonhavam com videogames, os adultos desejavam os Miura. Considerados a “Ferrari brasileira”, esses esportivos eram símbolos de exclusividade e status.

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Com preços que chegavam a R$ 183 mil reais (valor convertido de cruzados) na época, os Miura não eram apenas carros, mas verdadeiras obras de arte sobre rodas. Eles combinavam design elegante com tecnologia de ponta, algo raro para os padrões nacionais.

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A marca de veículo nacional foi fundada por um brasileiro Aldo Besson em 1976 junto com seu sócio, Itelmar Gobbi. Eles eram donos da Aldo Auto Capas, de Porto Alegre (RS). A marca Miura teve o nome inspirado num dos esportivos da italiana Lamborghini.

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Inovações que impressionavam

Os Miura eram conhecidos por suas inovações. Vidros elétricos, retrovisores elétricos, ar-condicionado de fábrica e até um computador de bordo que “falava” com o motorista eram alguns dos destaques.

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“Esse carro foi fabricado em 1987 e já tinha, por exemplo, esse volante escamoteável. Para a época, era uma coisa diferenciada”, explica Eduardo Neves ao portal Quatro Rodas, gestor de vendas e admirador do modelo Targa, o mais vendido da marca.

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O computador de bordo emitia mensagens como “abasteça o tanque de combustível” e “solte o freio de mão”, algo que parecia futurista na década de 80.

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Uma história de paixão e inovação

A história da Miura começou com Aldo Besson e Itelmar Gobbi, sócios de uma oficina especializada em transformação de carros. A dupla decidiu criar seu próprio esportivo, e assim nasceu a Miura em 1977.

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“Se eles já transformavam carros, por que não fazer os próprios? A partir daí, começou a história da Miura”, explica ao portal g1, Michel de Almeida, doutorando em história e entusiasta da marca.

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O primeiro modelo, o Sport II, de 1981, foi baseado no chassi da Brasília, mas com modificações que o tornaram único. A marca logo ganhou fama internacional, com carros espalhados por todos os continentes.

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Os modelos que marcaram época

A Miura lançou 11 modelos ao longo de sua história, cada um com características únicas. O Targa, por exemplo, era um semiconversível que conquistou o público com seu design arrojado e acabamento impecável.

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Outro destaque foi o Miura Saga, equipado com o motor 1.8 do VW Santana, que oferecia maior potência e desempenho. “O Miura sempre incorporava as últimas inovações disponíveis no mercado”, destaca Almeida.

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Além disso, os Miura eram conhecidos por itens de luxo, como bancos de couro, teto solar, toca-fitas com equalizador e até uma minigeladeira. Tudo isso em um carro nacional.

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O fim da produção e o legado

A abertura do mercado para carros importados nos anos 90 foi um golpe duro para a Miura. Com a possibilidade de comprar veículos estrangeiros a preços mais acessíveis, os clientes desapareceram.

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“Podíamos comprar um carro importado e financiar em 18 meses, enquanto um carro nacional era em 60 dias. Obviamente, os clientes desapareceram”, explica Almeida. A produção foi encerrada em 1992, após 14 anos de história.

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No entanto, o legado da Miura permanece vivo. Colecionadores se reúnem em Porto Alegre para celebrar a marca, e muitos sequer estipulam preço para vender seus exemplares. “Esse carro é parte da nossa história”, diz Gino Pesente, presidente do Miura Clube Brasileiro.

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Ousadia que deixou sua marca

Os Miura foram mais que carros; foram símbolos de uma era. Eles representaram o ápice da engenhosidade e da paixão pelo automobilismo no Brasil. Mesmo após o fim da produção, continuam a inspirar admiradores e colecionadores.

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Se você é um entusiasta de carros clássicos, os Miura certamente estão na sua lista de desejos. Eles são um capítulo essencial da história automotiva brasileira, e sua história merece ser lembrada e celebrada.