Voepass é cassada após operar milhares de voos com falhas graves

Em dez meses, Anac notou irregularidades nas operações da companhia

Agência indica 2,6 mil voos operados sem manutenção adequada após tragédia em Vinhedo

Agência indica 2,6 mil voos operados sem manutenção adequada após tragédia em Vinhedo | Paulo Pinto/Agência Brasil

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicou que a Voepass operou 2,6 mil voos com aeronaves cuja manutenção não foi realizada conforme os procedimentos técnicos exigidos, após o acidente aéreo ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo.

Os dados foram apresentados durante a reunião em que a Anac oficializou a cassação em definitivo do Certificado de Operador Aéreo (COA) da Voepass.

Com a decisão, a companhia fica impedida de realizar o transporte de passageiros, sem possibilidade de recurso. Procurada pela reportagem da Gazeta, a Voepass não se manifestou sobre a cassação de seu certificado de operação até a publicação deste texto.

Anteriormente, a cassação já havia sido determinada, e a Voepass recorreu em primeira instância. Na reunião da diretoria da Anac realizada nesta terça-feira (24/6), o advogado da companhia, Gustavo Albuquerque, disse que a cassação representa, segundo ele, uma espécie de “pena perpétua” para a empresa.

Falhas nas aeronaves

O diretor da Anac e relator do processo, Luiz Ricardo Nascimento, destacou que, durante a operação assistida, a Anac identificou uma série de descumprimentos de procedimentos. Esse padrão de falhas era recorrente na empresa.

Nesse contexto, a Anac destacou que alguns serviços de manutenção em aeronaves de alta relevância, se não forem realizados de maneira adequada, podem gerar problemas graves, como falhas e defeitos.

A Anac apurou outras 20 inspeções realizadas anteriormente em sete aeronaves. Foi constatado que as tarefas de manutenção não foram executadas corretamente entre os dias 15 de agosto de 2024 e 11 de março de 2025, resultando em 2.687 voos.

Segundo Nascimento, os voos foram realizados “com aviões em condições consideradas não aeronavegáveis”. A área técnica da Anac constatou uma relevante desorganização nos processos da empresa, entre eles, a sistemática de manutenção das aeronaves.

A cassação

Em dez meses, desde o desastre de Vinhedo, a Agência notou diversas irregularidades nas operações da Voepass.

A cassação do COA, neste momento, é resultado do processo sancionador conduzido após a suspensão cautelar.

A Agência reforça o compromisso com a proteção dos passageiros e com a integridade da aviação civil brasileira.

Suspensão das atividades

Anac interrompeu os voos da Voepass em 11 de maio de 2025. A princípio, a suspensão veio de maneira cautelar.

Quando a Anac suspendeu as operações da Voepass, notificou a Latam para atender aos clientes afetados pela decisão.