Zeider grava em Noronha e revela laços emocionantes com Marley e Gil

Vocalista do Planta e Raiz explica como foi influenciado pelo rock e pela música popular

Zeider, do Planta e Raiz, foi entrevistado pelo podcast Direto da Gazeta

Zeider, do Planta e Raiz, foi entrevistado pelo podcast Direto da Gazeta | Thiago Neme/Gazeta de S. Paulo

O grupo de reggae Planta e Raiz acaba de lançar o álbum em vinil de “Flor de Fogo”, o 16º trabalho da carreira. A novidade tem 10 faixas, duas delas inéditas, compostas pelo vocalista Zeider Pires.

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Nesta entrevista à Gazeta, Zeider explica a trajetória artística iniciada na década de 1990, a influência do rock e da música popular na sua formação musical, além de dizer como o público do reggae é, sobretudo, fiel ao gênero.

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Primeiro grande sucesso

A banda nasceu em São Paulo, a partir de uma formação entre amigos. O artista contou que inicialmente era mais próximo ao rock, mas foi se envolvendo com o reggae até se apaixonar pela cultura.

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Um dos primeiros grandes sucessos foi “Com Certeza” (“Com certeza, você já se banhou na queda de uma cachoeira…”), que levou a banda a ser conhecida nacionalmente.

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“Foi muito louco quando eu cantei a música pela primeira vez, porque veio todo mundo [da banda] na melodia, e todo mundo percebeu na hora que a música era boa. A gente se abraçou, e teve quem se emocionou. Depois íamos tocando a música para os amigos, e todos ficam arrepiados”, destacou.

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Segundo ele, a sua aproximação à arte de compor se deu porque, inicialmente, ele ficava apenas no vocal em uma banda com músicos muito bons, então sentia que precisava contribuir também de outras formas.

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“Eu via os integrantes, com seus instrumentos, e eu só com o microfoninho. Isso também me inspirou a compor, me fez pensar em somar para pelo menos empatar com os caras. Naquele momento soube que sabia compor”.

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“Com Certeza”, que entrou no álbum de estreia, em 2002, se tornou um grande hit, que furou bolhas do reggae nacional. Esse disco também contou com a regravação de “Vamos Fugir”, de Gilberto Gil, que considera até hoje o seu artista brasileiro predileto.

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Zeider disse admirar profundamente a poesia, harmonia e melodia de Gilberto Gil, considerado o melhor do País.

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Para ele, mesmo aos 83 anos, Gilberto Gil continua fazendo “revolução” ao cantar com novas gerações, o que mostra como o artista baiano sempre se reinventou.

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O paulistano já tocou com Gil, e nunca mais se esqueceu de um momento. “Teve um dia que ele me abraçou e beijou minha mão, mano. Quase morri”, destacou, ainda com os olhos brilhando. “Eu só respondi: ‘mestre, pelo amor de Deus, eu estou no céu”.

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Inspiração maior

Apesar do amor de Zeider por Gilberto Gil, ele destacou que a sua grande referência artística é Bob Marley, o mítico músico jamaicano considerado o pai do reggae.

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“Eu tinha uns 13 anos quando ouvi Redemption Song do carro de uma rapaziada mais velha. Eu falei na hora: ‘Meu, é a música mais linda que já ouvi na vida’. Então comecei a ir atrás”, recordou.

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Novo álbum

 “Flor de Fogo”, contou, é resultado de um audiovisual gravado ao vivo no arquipélago de Fernando de Noronha no fim de 2023. O álbum conta com duas canções exclusivas – Zeider cantou trecho de ambas na entrevista à Gazeta.

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A banda decidiu lançar o trabalho inicialmente somente em vinil. “Foi uma forma de fomentar a cultura do vinil, mostrar isso para os jovens, de que existe esse jeito muito legal de ouvir. No vinil até minha voz fica diferente”, destacou.

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As duas músicas inéditas que não entraram no audiovisual de Noronha e estão no álbum Flor de Fogo são “Não Chore” e “Contemplador das Estrelas”. Ambas são composições de Zeider.

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O álbum também acompanha um encarte detalhado com todas as letras, compositores, ficha técnica, data e local de gravação, e informações sobre produção e mixagem.

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Religiosidade

Na entrevista, o artista explicou o papel da maconha dentro da cultura do reggae, mais voltado para a espiritualidade. Ele é um defensor da descriminalização da cannabis, mesmo para fins recreativos.

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Depois de passar por algumas religiões, o artista revelou também que está em um momento de redescoberta espiritual.

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“Eu nasci e fui batizado como católico. Depois, fiquei um tempo da minha vida na igreja evangélica. Hoje em dia estou entendendo Deus, procurando cada vez mais ter o meu próprio ponto de vista”, disse.

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Ele também alertou que a maconha pode ser importante para ele, mas que não deve, de forma alguma, ser consumida por menores de idade – assim como as bebidas alcoólicas e os cigarros eletrônicos.

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“Os moleques agora estão explodindo os pulmões [com os cigarros eletrônicos]. Isso é um veneno”, alertou.

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Para ele, por outro lado, a cannabis é vista como um caminho para centralizar, meditar e como uma “semente criativa”, potencializando a inspiração para o trabalho artístico ou qualquer outra área.

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Impacto do reggae

Zeider destacou que a banda nunca parou de produzir ao longo de seus 27 anos de carreira, mesmo em momentos de crise das gravadoras ou de menor exposição. Sempre sentiu que o público do reggae é muito fiel, e recordou vezes em que fãs disseram que suas músicas melhoraram suas vidas. 

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Ele aprendeu, no caminho, a balancear entre músicas mais difíceis e reflexivas com sucessos, até para garantir a longevidade da banda. 

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“Apesar de ser o trabalho mais legal do mundo, ainda é um trabalho, é o meu trabalho. Então faço as músicas que fluem do meu coração e faço também as que podem ter um efeito comercial legal, que possa atingir o maior número de pessoas”, contou.

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O grupo terá uma série de shows pela frente, em cidades paulistas como São Paulo, Osasco, Bragança Paulista, São Bernardo do Campo, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Suzano e Bauru. Pelo Brasil, o grupo vai passar nos próximos meses entre Rio de Janeiro, Penha (SC), Londrina (PR) e Itaúnas (ES), entre outros destinos.