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Fraudes em cartão de crédito já passam de 920 mil no País desde o início do ano

Entre janeiro e agosto deste ano, foram detectados 920 mil golpes na internet com o objetivo de roubar dados financeiros de consumidores para clonar cartões de crédito Por Estadão Conteúdo De São Paulo

dothCom Consultoria Digital

Publicado em 25/09/2018 às 18:00

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A popularização das transações com cartão de crédito via internet fez proliferar também o número de fraudes envolvendo os cartões. Só entre janeiro e agosto deste ano, foram detectados 920 mil golpes na internet com o objetivo de roubar dados financeiros de consumidores para clonar cartões de crédito - são 3,6 fraudes por minuto. Os números foram levantados pelo laboratório de cibersegurança da Psafe, empresa que coleta e gera dados a partir de uma base de 20 milhões de computadores.

Apesar de não haver uma comparação com anos anteriores, já que esses dados só começaram a ser coletados em setembro de 2017, especialistas do setor, bancos e a própria polícia reconhecem que esse número está em franco crescimento. "Estamos vivendo uma explosão em fraudes com cartão de crédito no Brasil. E a ação de criminosos tende a se intensificar no fim do ano", diz o diretor do laboratório da Psafe, Emílio Simoni, responsável pelo levantamento.

Além das fraudes cibernéticas, que provocam prejuízos e transtornos para os donos dos cartões, também vêm crescendo os chamados "crimes de engenharia social". São golpes nos quais as vítimas são induzidas pelos criminosos, em geral por contatos telefônicos, a liberar seus dados e, às vezes, entregar os próprios cartões.

Por conta do aumento desses crimes, já foi criada até uma força-tarefa, tocada de maneira sigilosa pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que tenta mapear a origem desses estelionatários, que aparentemente têm ramificações em todo o País e até no exterior.

O combate a essas fraudes, no entanto, é prejudicado pelo fato de poucas pessoas procurarem a polícia para denunciar, diz o delegado José Mariano de Araújo Filho, titular da delegacia de crimes cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo. "Os consumidores conseguem reverter parte do prejuízo desses golpes, ou com os varejistas ou com os agentes do mercado financeiro. E as empresas acabam jogando pano quente nessas histórias, que crescem de forma exponencial."

O diretor do comitê de segurança da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de crédito (Abecs), Moisés dos Santos, admite que os bancos e as operadores de cartão de crédito não têm o menor interesse em falar sobre o assunto. "As empresas do setor não precisam provisionar as fraudes com cartão, já que os custos não ficam com eles (ficam com as seguradoras, o varejo e os próprios consumidores). E assumir essas fraudes prejudicaria a eficiência das operações", diz.

Segundo as autoridades, para cometer os golpes, os criminosos exploram principalmente fragilidades dentro do varejo e do sistema de compra via cartão de crédito no Brasil. Uma dessas carências estaria no modelo de autenticações para compras em lojas virtuais, que geralmente não pede mais do que o código de segurança, prazo de validade e número do cartão, além de CPF e nome do comprador. "Seria preciso incrementar a segurança no sistema de compras online", diz o promotor Nathan Glina, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco).

"Muitos bancos de dados sucumbem facilmente a ataques de hackers e, em alguns casos, contam com a conivência de funcionários, que facilitam o acesso dos estelionatários", afirma o promotor Frederico Meinberg, do Ministério Público do Distrito Federal, que investiga casos que já aconteceram de vazamento de bancos de dados de grandes empresas.

Apesar do crescimento registrado nos últimos meses, a clonagem de cartões de crédito não é novidade no Brasil. Há dois anos, um relatório produzido pela empresa americana de meio de pagamento ACI Wordwide já indicava a escalada desse crime no País. Segundo a empresa, o Brasil tinha, ao lado dos EUA, a segunda maior incidência em fraudes com cartão de crédito, envolvendo 48% dos usuários. A liderança global ficava com o México, onde 51% dos usuários relataram problemas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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