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Só vamos dar dinheiro a quem for nosso amigo, diz Trump na ONU

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente americano afirmou que apenas países aliados dos EUA irão receber dinheiro de Washington Por Folhapress De São Paulo

dothCom Consultoria Digital

Publicado em 25/09/2018 às 22:05

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Em frente a uma plateia formada por líderes e representantes das 193 nações, o presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta terça (25) que apenas países aliados dos EUA irão receber dinheiro de Washington.

"Nós só vamos dar ajuda financeira para quem nos respeita e, sinceramente, é nosso amigo", afirmou o americano em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Em uma fala recheada de autoelogios a seu governo, Trump rejeitou "a governança global, o controle e a dominação" e defendeu o direito ao isolacionismo, afirmando preferir o patriotismo ao globalismo.

"O Estados Unidos não vão dizer como cada um deve viver, trabalhar ou rezar, mas os outros países devem respeitar a soberania americana" afirmou ele, que criticou as negociações para a criação de um acordo internacional para a questão migratória.

"Aceitamos o direito de cada país de definir suas regras para a migração, desde que eles também respeitem as nossas. Por isso, não vamos participar do novo pacto de migração, porque isso é um direito de cada país."

O americano voltou a fazer ataques a órgãos internacionais, incluindo o Tribunal Penal Internacional, que tem sede em Haia (Holanda), e o Conselho de Direitos Humanos da ONU (do qual os Estados Unidos saíram).

Logo no início de seu discurso, ele causou risos na plateia ao afirmar que seu governo conseguiu mais sucesso em dois anos do que qualquer outra administração. "Eu não esperava essa reação, mas tudo bem", respondeu após as risadas do público.

Apesar disso, a fala de Trump teve um tom mais ameno do que seu incendiário discurso em 2017, sua estreia na Assembleia Geral da ONU, quando o americano ameaçou destruir a Coreia do Norte e criticou Irã, Cuba e Venezuela.

Embora tenha voltado a reclamar de Teerã e Caracas, o americano elogiou o regime norte-coreano e agradeceu ao ditador Kim-Jong-un pela melhoria da relação entre os países - Índia, Arábia Saudita, Polônia e Israel também ganharam elogios do americano.

"Nos envolvemos com a Coreia do Norte para descartar a possibilidade de um conflito, em um movimento ousado e corajoso", disse ele. "Conseguimos avanços inimagináveis há pouco tempo, mísseis não estão voando mais, instalações nucleares já estão sendo destruídas.."

Apesar disso, ele afirmou que manterá as atuais sanções contra o país até que Pyongyang realize a desnuclearização.

Ao chegar na sede da ONU, Trump afirmou a jornalistas que estava ansioso para desenvolver uma boa relação com o Irã, mas que isso só irá acontecer quando Teerã "mudar o tom".

Em seu discurso, porém, o país se tornou o principal alvo de suas declarações.

"Os líderes iranianos buscam caos, morte e destruição. Querem riqueza e espalhar a loucura no Oriente Médio e pelo mundo. Mandam seus aliados para estimular guerra. Muitos de seus vizinhos sofreram com isso", afirmou Trump, que voltou a defender a decisão de acabar o acordo nuclear com Teerã.

Outro alvo de críticas foi o governo do ditador Nicolás Maduro, contra o qual o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou também nesta terça uma nova rodada de sanções.

Trump disse que a Venezuela já foi um dos países mais ricos do planeta, mas que isso foi destruído pelo socialismo do ditador. "Todas as nações do mundo devem resistir ao socialismo e à miséria que ele traz", afirmou ele.

Em uma quebra de protocolo, o americano se atrasou para seu discurso e acabou sendo apenas o terceiro líder a discursar, após os presidentes do Brasil, Michel Temer, e do Equador, Lenín Moreno - tradicionalmente o presidente americano é o segundo, imediatamente após o brasileiro.

Antes deles, já tinham falado o secretário-geral da ONU, o português António Guterres e a presidente da Assembleia Geral, a também equatoriana María Fernanda Espinosa.

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