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Candidato ao Senado, Perillo é alvo de ação que apura esquema de corrupção

Marconi Perillo (PSDB), ex-governador de Goiás, é apontado como chefe da organização investigada, é alvo de mandado de busca e apreensão em sua casa Por Folhapress

dothCom Consultoria Digital

Publicado em 28/09/2018 às 15:55

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A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (28) operação que apura suposto esquema de pagamento de propinas ao ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) - candidato a uma vaga no Senado nas eleições deste ano - e alguns de seus principais aliados.

O tucano, apontado como chefe da organização investigada, é alvo de mandado de busca e apreensão em sua casa.

Em documento obtido pela reportagem, a PF informa que só não requereu a prisão do ex-governador por causa de restrições da lei eleitoral. Candidatos não podem ser presos entre 15 dias antes e dois dias após o pleito.

A operação, batizada de Cash Delivery, se baseia em delações premiadas de executivos da Odebrecht na Lava Jato. Eles relataram que, em troca de favorecer a empreiteira em contratos no estado, Perillo recebeu R$ 2 milhões em 2010 e R$ 10 milhões em 2014.

Os recursos teriam sido destinados a campanhas.

Nesta sexta, foi apreendida farta quantia de dinheiro na casa de Márcio Garcia de Moura, policial militar investigado. Ele é motorista de Jayme Rincon, ex-tesoureiro de Perillo e ex-secretário da Agetop (Agência Goiana de Transportes e Obras).

Atualmente coordenador da campanha do candidato tucano ao governo do estado, José Elinton, Jayme Rincon foi citado como agente que operava o esquema em nome do ex-governador.

Ele, Moura e mais três investigados são alvo de mandados de prisão temporária. Trata-se de Rodrigo Godoi Rincon, filho do ex-chefe da Agetop, do ex-policial militar e advogado Pablo Rogério de Oliveira e do empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior.

Ao todo, estão sendo cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária, expedidos pela 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Pirenópolis, Aruanã, Campinas e São Paulo.

Os envolvidos são investigados por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Nas planilhas de propina da Odebrecht, Perillo era identificado pelos codinomes Master, Padeiro, Calado ou Patati. Os recursos ilícitos seriam enviados a ele pelo doleiro Álvaro Novis, da Hoya Corretora de Valores e Câmbio, que trabalhava para a empreiteira.

Novis admitiu à PF que era encarregado de providenciar a entrega do dinheiro e que, para isso, usava a as transportadoras Transnacional, em São Paulo, e TransExpert, no Rio de Janeiro.

Ele forneceu planilhas de controle e extratos dos pagamentos, além de gravações das conversas telefônicas que, por determinação da Comissão de Valores Mobiliários, a Hoya era obrigada a fazer e manter. Essas provas, segundo o MPF (Ministério Público Federal), reforçam os indícios de que, "de fato, houve o efetivo pagamento da propina".

Novis também detalhou datas e valores de pagamentos, além de identificar os encarregados de entregar as malas e mochilas com dinheiro em espécie. Essas pessoas foram ouvidas como testemunhas e, explicam os investigadores, confirmaram as operações.

Há conversas telefônicas e diálogos por Skype indicando entregas recorrentes a Rodrigo Rincon e a dois motoristas do pai dele: Moura e outro policial, Sérgio Rodrigues de Souza, assassinado no começo deste ano.

"Os indícios até então colhidos apontam que Marconi Perillo era o chefe do grupo. Jayme Rincon atuou como seu braço direito, mantendo contato com os executivos da Odebrecht e coordenando as atividades dos demais investigados, que tinham a função de buscar o dinheiro em São Paulo e trazê-lo de avião a Goiânia, atuando assim como uma espécie de preposto", sustenta o MPF.

Há suspeitas, segundo os investigadores, de que parte do dinheiro, R$ 170 mil, foi usada para adquirir um veículo de luxo para Rodrigo Rincon. Na ocasião, ele era estudante e não teria renda para isso.

A análise dos emails dos investigados, aponta o inquérito, mostra que Jayme Rincon apagou todas as mensagens do servidor em meados de 2016, logo após a deflagração da 26ª fase da Operação Lava Jato, que cumpriu mandado de busca e apreensão em apartamento de sua propriedade, em São Paulo.
Era o principal local de entrega de propinas, segundo as investigações, e onde morava o filho dele.

"A análise dos e-mails revelou, ainda, que Jayme Rincon pagou R$ 24 mil, em dinheiro vivo, por um procedimento médico para o filho, o que indica ocultação de sua origem ilícita", informou o MPF.

A investigação começou no STJ (Superior Tribunal de Justiça) em junho de 2017. Com a renúncia de Perillo ao mandato de governador para concorrer ao Senado, o caso foi enviado à primeira instância.
Em julho deste ano, a Justiça Federal autorizou acesso de investigadores aos emails e aos extratos das ligações telefônicas dos investigados.

O objetivo da operação, segundo o MPF, é apreender provas que estejam em poder dos investigados, "com a finalidade de tentar identificar o destino da propina recebida".

O advogado de Perillo, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, repudiou a ação da PF e a classificou como "violência inexplicável ao estado democrático de direito".

"O ex-governador foi citado na delação da Odebrecht por fatos ocorridos em 2010 e 2014. É evidente que os fatos devem ser apurados e a defesa não tem nenhuma preocupação com a investigação. A palavra do delator é isolada e não há, sequer en passant, qualquer fiapo de indício contra o Marconi Perillo ", afirmou, em nota.

Segundo ele, a busca e apreensão na residência do ex-governador a nove dias da eleição assume "um caráter claramente eleitoreiro e demonstra um abuso por parte do Ministério Publico e do Poder Judiciário".

"É, sem dúvida, uma clara interferência, indevida e perigosa, contra a estabilidade democrática. Os fatos citados pelo delator, sem provas, se referem a questões antigas. A falta de contemporaneidade, já decidiu varias vezes o Supremo Tribunal [Federal], é impeditivo de prisões e qualquer outra medida constritiva contra qualquer cidadão", comentou.

A reportagem não conseguiu contato com representantes dos demais alvos.

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