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Grande São Paulo

Prefeitura promete diálogo por moradias em Taboão da Serra

Fernando Fernandes (PSDB) se reuniu com líderes de ocupação do Parque Laguna e disse que também vai tentar dialogar com o proprietário do terreno Por Matheus Herbert De São Paulo

dothCom Consultoria Digital

Publicado em 29/09/2018 às 12:30

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O prefeito de Taboão da Serra, Fernando Fernandes (PSDB), se reuniu com representantes da ocupação “Filomena Basilio” na última segunda-feira e disse que buscará uma agenda com representantes da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), para discutir moradias populares para as cerca de 1.400 famílias que ocupam uma área particular no Parque Laguna desde junho deste ano. A área já tinha sofrido processo de reintegração de posse em julho do ano passado e já tinha sido invadida outras vezes.

De acordo com uma nota oficial da Prefeitura de Taboão da Serra, o prefeito também tentará, “agendar uma reunião entre os ocupantes e o proprietário do terreno”.

A área com cerca de 136 mil m² que faz divisa com o Jardim Três Marias em Taboão da Serra e outros bairros da zona oeste da Capital, já abriga comércios e até uma igreja evangélica.

A Gazeta acompanha a ocupação desde o mês de junho, e de lá pra cá o número de famílias no terreno só cresce. Em junho, cerca de 300 famílias estavam morando na área, já na última semana o número subiu para mais de 1.400. Além dos barracos cobertos com lona, moradias de madeiras já foram erguidas.

“Vivo aqui com o meu pai e a minha filha. A situação está muito difícil e não conseguíamos pagar aluguel e também dar conta das outras despesas, então viemos morar nessa ocupação. Estamos aqui desde o começo, em junho”, disse a jovem de 19 anos Emily Gomes.

A proximidade com a Capital atrai moradores de cidade vizinhas que perderam suas moradias por não ter condições de pagar aluguel ou viviam em outras ocupações. “Estava em uma outra ocupação, aí fiquei sabendo dessa e vim com a minha filha de sete anos. Estou vivendo há três meses nesse barraco improvisado. Até temos medo de uma reintegração, porém vamos resistir porque não temos para onde ir”, disse Ivani da Silva, de 33 anos.

De acordo com um dos líderes da ocupação, Leandro Cavalca, as famílias não pertencem a nenhum movimento social partidário e fazem parte da “Associação A.B.A.M.D na Luta por Moradia Digna”. “Tivemos uma conversa muito produtiva com o prefeito e agora vamos aguardar os desdobramentos da reunião. Existe um pedido de reintegração de posse para o dia 30 de novembro, mas também conseguimos prorrogar essa data. A ideia é ou comprarmos um pedaço da área ou a prefeitura nos realocar em um outro terreno”, disse Leandro.

Ainda segundo Cavalca, a prefeitura se comprometeu em enviar o conselho tutelar na ocupação. “O prefeito disse que enviará o conselho tutelar e também a funcionários da assistência social para nos atender, já que temos muitas crianças, idosos e até crianças especiais”, complementou um dos líderes do movimento.

Apesar do número grande de famílias no terreno, a fila de espera por moradia na área só aumenta. “Temos uma fila de espera para um espaço aqui na ocupação de cerca de 150 famílias”, finalizou Leandro.

Déficit habitacional

O crescimento da ocupação irregular é reflexo da crise econômica que o País passa e também do déficit habitacional de Taboão da Serra que sofre com a falta de terrenos para a construção de moradias e um adensamento populacional recorde. Hoje são 14.012 habitantes por km², em uma cidade com apenas 20,38 km². O déficit habitacional de Taboão é de mais de 10 mil famílias, de acordo com dados da prefeitura do ano de 2010.

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