X

Brasil

Incerteza política derruba Brasil em ranking de investimentos estrangeiros

Segundo dados da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o País caiu, no primeiro semestre, do 6.º para o 9.º lugar entre os principais destinos de investimentos Por Estadão Conteúdo

dothCom Consultoria Digital

Publicado em 17/10/2018 às 00:50

Comentar:

Compartilhe:

A-

A+

Publicidade

A incerteza política que o Brasil tem vivido durante todo este ano espantou investidores estrangeiros. Segundo dados da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o País caiu, no primeiro semestre, do 6.º para o 9.º lugar entre os principais destinos de investimentos. De janeiro a junho, foram enviados para o Brasil US$ 25,5 bilhões, uma queda de 22% ante os US$ 32,6 bilhões do mesmo período de 2017.

"A incerteza é a inimiga dos investimentos", disse Richard Bolwijn, um dos autores do levantamento, referindo-se ao Brasil. Segundo ele, empresas tomam decisões de investir em um país com base nos fundamentos econômicos. Mas o momento de concretizar os planos passa por uma avaliação da instabilidade política.

Essa situação tem sido vivenciada diretamente pelo presidente da filial brasileira da Mercedes-Benz, Philipp Schiemer. Segundo ele, está difícil convencer a matriz da empresa na Alemanha a trazer novos investimentos para o Brasil, em meio a tantas incertezas em relação ao futuro do País, e os executivos globais se sentem mais inclinados a investir nos mercados asiáticos.

Schiemer garantiu que o atual plano de investimentos da montadora, de R$ 2,4 bilhões até 2022, não está em risco. No entanto, contou que teme pelos anos seguintes. "O ciclo de investimento é de longo prazo, então, uma vez tomada a decisão, não se muda. Mas, quando estamos discutindo investimentos para 2023 e 2024, eu fico preocupado", disse o executivo, em evento do setor automotivo em São Paulo promovido pela editora AutoData

O presidente da Mercedes lamentou que o segundo turno da eleição presidencial esteja sendo disputado por dois candidatos que ele considera serem "extremos", mas ressaltou que terá de aceitar o resultado e garantiu que vai trabalhar com qualquer um deles.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Empresas Transnacionais (Sobeet), Luís Afonso Lima, o recuo de 22% no investimento direto estrangeiro no Brasil no primeiro semestre se deveu mais à frustração no ritmo de atividade e à conclusão de projetos do que efetivamente à incerteza eleitoral. Mas, para ele, esse cenário turbulento terá influência direta nos resultados do segundo semestre - a previsão é de uma queda de 30% na comparação com o mesmo período de 2017. "O ano de 2018 deve fechar com queda de 25%", prevê.

Para 2019, o cenário deve continuar negativo para o investimento estrangeiro, segundo Lima. Entre os fatores responsáveis pela retração, o presidente da Sobeet aponta o caráter nacionalista já manifestado pelo candidato Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas para a Presidência - ele se mostrou contrário aos investimentos chineses. "Também o fluxo global de investimentos está diminuindo", diz Lima. Ele aponta vários fatores para ambiente internacional desfavorável, como a redução da projeção de crescimento global, feita pelo FMI, e a decisão dos Estados Unidos de reduzir a tributação sobre a repatriação de capitais.

Livio Ribeiro, pesquisador sênior da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, disse que há vários fatores combinados que jogam a favor e contra o investimento estrangeiro, não apenas a incerteza política. A taxa de câmbio, por exemplo, favorece o investimento, porque é possível fazer mais reais com a mesma cifra em dólares. Por sua a vez, a frustração que houve nas projeções de crescimento jogam no sentido oposto.

Ribeiro pondera também que, nos últimos anos, ocorreu uma redução nos fluxos comerciais e financeiros. Com protecionismo maior das economias, houve um desestímulo aos investimentos.

Recuo global

De uma forma global, os investimentos no mundo sofreram uma queda de 41% nos seis primeiros meses do ano, atingindo o ponto mais baixo em mais de uma década. No primeiro semestre de 2017, o volume havia atingido US$ 794 bilhões. Neste ano, o total chegou a US$ 470 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Apoie a Gazeta de S. Paulo
A sua ajuda é fundamental para nós da Gazeta de S. Paulo. Por meio do seu apoio conseguiremos elaborar mais reportagens investigativas e produzir matérias especiais mais aprofundadas.

O jornalismo independente e investigativo é o alicerce de uma sociedade mais justa. Nós da Gazeta de S. Paulo temos esse compromisso com você, leitor, mantendo nossas notícias e plataformas acessíveis a todos de forma gratuita. Acreditamos que todo cidadão tem o direito a informações verdadeiras para se manter atualizado no mundo em que vivemos.

Para a Gazeta de S. Paulo continuar esse trabalho vital, contamos com a generosidade daqueles que têm a capacidade de contribuir. Se você puder, ajude-nos com uma doação mensal ou única, a partir de apenas R$ 5. Leva menos de um minuto para você mostrar o seu apoio.

Obrigado por fazer parte do nosso compromisso com o jornalismo verdadeiro.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

ATENÇÃO MOTORISTAS

Perdeu a placa do veículo? veja o passo a passo do Detran-SP para emitir uma nova

Só é permitida a emissão de uma nova placa se o veículo estiver devidamente licenciado, com todas as taxas em dia e sem multas pendentes

Oportunidade

TRF vai iniciar inscrições de concurso com salários de até R$ 13,9 mil; veja cidades

Ao todo, são 263 vagas para os níveis técnico e superior; Inscrições iniciam dia 29 de abril e seguem até o dia 28 de maio

©2021 Gazeta de São Paulo. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

Newsletter