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Bolsonaro pressiona e Temer desiste de nomeações na Caixa e em agências

Bolsonaro quer ele próprio chancelar, se eleito, os nomes para cargos-chave do governo que estão em aberto e seriam escolhidos pelo emedebista Por Folhapress

dothCom Consultoria Digital

Publicado em 24/10/2018 às 18:33

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Emissários de Jair Bolsonaro (PSL) pressionaram o presidente Michel Temer, e ele decidiu congelar as nomeações de quatro vice-presidentes da Caixa Econômica Federal.

O candidato quer ele próprio chancelar, se eleito, os nomes para cargos-chave do governo que estão em aberto e seriam escolhidos pelo emedebista.

O presidente também recuou de nomeações para cargos de direção em agências reguladoras, após tratativas com representantes de Bolsonaro.

O gesto de Temer para o presidenciável mira compensações no futuro, como a permanência de aliados em alguns cargos e a manutenção de programas da atual gestão.

Segundo integrantes do governo e da campanha de Bolsonaro ouvidos pela reportagem, o presidente pretendia rever os nomes selecionados pela Caixa e distribuir cargos de comando nas agências reguladoras para alguns de seus ministros.

No entanto, Bolsonaro fez chegar a ele sua insatisfação.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB), diz que o governo avaliou que, a dois meses do fim do mandato de Temer, não é momento de fazer alterações em cargos permanentes.

"Ao fim de governo, é ideal que não tenha esse tipo de modificação. Não é hora de fazer mudança. Que o próximo presidente faça essas alterações", declarou.

Ele negou, contudo, que tenha conversado com aliados de Bolsonaro.

A decisão de Temer afeta as novas regras de gestão da Caixa, criadas com o objetivo de blindar o banco de aparelhamento político e esquemas de corrupção.

Após os desvios apurados nas operações Sépsis, Cui Bono e Greenfield, a instituição aprovou novo estatuto que prevê a seleção de dirigentes por meio de recrutamento no mercado, seguindo critérios de competência profissional e sem a interferência de partidos.

Os ocupantes dos cargos têm de se enquadrar no perfil da Lei da Ficha Limpa.

Pela nova regra, cabe ao Conselho de Administração da Caixa, e não ao presidente da República, decidir quem exercerá as vice-presidências do banco, com base nos resultados do concurso. Porém, a prerrogativa de nomeá-los continua sendo do presidente.

A Caixa enviou este mês à Presidência a lista dos executivos selecionados para as vices de Habitação, Governo, Corporativa e de Fundos de Governo e Loterias.

As três últimas estão sob o comando de interinos desde o início do ano, quando Temer teve de afastar os titulares devido a suspeitas de envolvimento em corrupção.

A medida foi tomada após pedidos do MPF (Ministério Público Federal) e do Banco Central.
Coube a Marun informar à Caixa que as nomeações não vão sair neste governo. O aviso foi dado diretamente ao ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, a quem o banco está subordinado.

Marun resiste especialmente à troca do vice-presidente interino de Habitação, Paulo Antunes de Siqueira, ao qual é ligado. O executivo foi superintendente da Caixa no Mato Grosso do Sul, base eleitoral do ministro.

O chefe da Secretaria de Governo é antigo aliado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), atualmente preso, condenado por receber propinas na Caixa.

A decisão de suspender as nomeações frustrou integrantes da equipe econômica, que almejam, finalmente, pôr em prática as novas regras de governança da Caixa para dar uma resposta à opinião pública e blindá-lo de indicações políticas.

Teme-se que, após o oneroso processo de recrutamento, que envolveu a escolha de uma empresa caça-talentos, os executivos selecionados aceitem ofertas de concorrentes.

À reportagem, Marun reconheceu que há pleitos de mudança, mas que os atuais vice-presidentes estão fazendo trabalhos satisfatórios e que substituições não são uma necessidade tão urgente para serem feitas agora.

Nas agências reguladoras, Temer indicou recentemente o novo presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e diretores da ANS (Agência Nacional de Saúde), da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e da nova agência de mineração, a ANM.

O plano dele era lotear com indicados de seu partido, ao todo,16 postos de comando em agências.

As vagas nunca estiveram tão disputadas. No caso da ANM, caciques do MDB, partido de Temer, no Congresso seguraram a sabatina dos indicados para conseguir barganhar com o presidente possíveis trocas de nomes.

No caso da Anatel, a vaga de presidente estava prometida para o ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), do PSD, mas chegou a ser disputada por dois ministros de Temer.

Kassab indicou um secretário de seu ministério para ocupar o cargo a partir de novembro.

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