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RAP NACIONAL

Fisgado pelo rap desde cedo, Rodrigo Ogi fala sobre seu álbum 'Aleatoriamente'

Em entrevista à Gazeta, o rapper de São Paulo fala sobre o processo de produção de seu álbum recém-lançado

Natália Brito*

Publicado em 10/11/2023 às 10:00

Atualizado em 10/11/2023 às 13:34

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O rapper e cronista Rodrigo Ogi / Ênio Cesar/Divulgação

O rapper e cronista paulistano Rodrigo Ogi, que iniciou sua carreira no grupo Contrafluxo, acaba de lançar o álbum “Aleatoriamente". A novidade - ele já tem outros dois discos e um EP -  aborda diversos temas do dia a dia, com sagacidade nas letras e uma sonoridade única.

Em entrevista à reportagem da Gazeta, o artista, com uma trajetória longa na música de produções próprias e com parceiros, falou sobre suas primeiras referências na vida. “Fui uma cria do rap e a minha principal referência foram os Racionais. Desde a primeira vez que eu escutei com 9, 10 anos, já fui fisgado por aquilo. No rap é a minha principal [referência] foi e ainda continua sendo o Racionais.”

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Outro movimento que atravessou a vida do artista foi o da pichação. "Comecei fazer era uma coisa que já me interessava bastante, sempre ficava tentando entender o que estava escrito. Tinha alguns amigos no bairro ali que já faziam, e em 95 eu comecei fazer uns com eles", relembrou. Ogi deixava sua marca nas ruas de São Paulo com o "R HIP HOP", e de vez em quando mata a saudade com os antigos amigos. "Continua até hoje. De vez em quando eu faço um ou outro, mas é uma coisa bem mais para matar a saudade mesmo daquele ritmo, com um amigo da antiga só para matar a lombriga, mas nada além".

Fisgado pelo rap desde cedo, Ogi contou sobre o processo de produção do seu último projeto e como as ideias fazem parte do seu cotidiano. “Foram experiências que vivi naquela época, é um disco que foi feito de 2019 até 2023, o cenário político do País daquela época, tantas coisas acontecendo, pandemia. Foi uma mistura de tudo isso e resultou no ‘Aleatoriamente’".

O título também ressalta um pouco do que é a mistura de sentimentos que o rapper traz nas letras e sonoridades das 12 faixas do álbum. Desde a intensidade de “Rotina”, com uma letra que fala sobre as questões que desgastam a sociedade, até situações amorosas como em “Saudade”, que tem a participação do cantor Russo Passapusso.

Capa do álbum 'Aleatoriamente'Capa do álbum "Aleatoriamente"/Ênio Cesar/Divulgação

O artista relembrou que as escolhas das participações foram acontecendo enquanto o disco tomava forma, mas a opção pelo produtor Kiko Dinucci veio no momento inicial de produção. “Queria sair da minha zona de conforto. Estava desconfortável dentro da minha zona de conforto e decidi procurar o Kiko para fazer esse trabalho diferente. Desde o começo, ele está comigo criando tudo, trocando ideias e chegando no consenso, para que o trabalho ficasse equilibrado.”

A pandemia atravessou o processo de criação de “Aleatoriamente”, e isso se refletiu nas composições e também algumas dificuldades para chegar até o fechamento do disco. Além dos desafios, Ogi revelou a sua exigência com o trabalho.

“Sou bem exigente comigo. Ao mesmo tempo que faço muita coisa, descarto muita coisa também. Lancei o 'Pé no Chão' em 2017. Depois, lancei mais alguns singles em 2019, 2020 e 2021, colaborei com vários artistas como o Marcelo D2 e a Juçara Marçal, enquanto eu ia apurando esse disco, deixando do jeito que gostaria. A gente começou a fazer o disco no final de 2019, foram três anos praticamente nessa. Tenho esse meu lance de querer o disco do meu jeito.”

Além disso, algumas músicas ganharam outra forma durante a produção, como é o caso de “Cupido”.

Com uma levada de samba inicialmente, a faixa “Cupido” se transformou após passar pela produção. Ao escutar a música é possível identificar a levada clássica do samba tradicional como um resquício, mas logo se surpreende com uma sonoridade completamente diferente.

“Era exatamente o andamento de um samba mais tradicional. O Kiko ouviu aquilo e não queria fazer, e falou: ‘Não, desse jeito não, cara. Você já fez esse tipo de música. Vamos dar um jeito nessa levada’. Aí peguei e montei um esqueleto de bateria totalmente diferente do samba e fui fazendo aquela levada com aquela melodia. Mandei para ele, ele gostou e criou tudo em cima do que eu tinha feito.”

O artista tambémcitou alguns nomes do samba que admira e tem o desejo de fazer uma parceira para o futuro "Gostaria de gravar um dia com Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro. São vários. E no pagode gostaria de gravar com o Belo, né? Já pensou? Ia ser interessante. São caras que escuto desde que era adolescente, na época em que o pagode estava explodindo."

Por fim, Ogi falou sobre seus planos e sonbre a possibilidade de criar um novo álbum em 2025. “Já tem bastante shows fechados agora para novembro e dezembro, bastante coisa acontecendo. E meu plano é trabalhar esse disco ano que vem, fazer bastante shows e lançar um novo disco em 2025. Tem bastante coisa que estou criando. Estou agora vendo sobre o que eu vou escrever, vou anotando as coisas, buscando a sonoridade do que quero fazer. Vamos ver, está bem no esqueleto ainda, mas já tô martelando aqui.”

*Assistente de redação, sob supervisão 
 

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