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Renault Captur 1.6 CVT X-Tronic Bose
Renault Captur 1.6 CVT X-Tronic Bose
Foto: Luiza Kreitlon/AutoMotrix

Captur com som sofisticado

A série Bose agrega um sistema de som premium à versão "top" do Renault Captur

Historicamente, talvez pela musicalidade exuberante tão característica da cultura nacional, o consumidor brasileiro sempre valorizou carros com o chamado "sonzão". Não por acaso, lançamentos automotivos de versões especiais com sistema de som premium são recorrentes no mercado nacional e não param de surgir em diversas marcas. Em outubro do ano passado, foi a vez da Renault apostar nessa tendência e tentar alavancar as vendas do utilitário esportivo Captur com o lançamento da série limitada Bose. A versão que ostenta essa grife agrega amplificador de sete canais, twitters mais refinados, sete alto-falantes especiais e caixa selada (subwoofer) no porta-malas, que não ocupa espaço.

Lançado no Brasil em 2017, o crossover da marca francesa baseado no Duster se mantém como um dos utilitários esportivos mais bonitos do mercado nacional. A grade rebaixada na parte central e os leds diurnos em forma de "C" conferem um aspecto atraente à parte frontal. Os faróis dotados de projetores tipo canhão e os de neblina de leds contrastam um pouco com o conjunto óptico com lâmpadas comuns. O capô é curto e o uso de um tom diferente no teto e nas colunas ajuda a dar um visual marcante. Apesar do estilo ainda poder ser considerado bem contemporâneo, o Captur já ganhou uma nova geração, apresentada na Rússia.

Além de incorporar o prestígio da empresa fundada por Amar Bose em 1964, que fornece equipamentos de áudio para fabricantes de carros de luxo de todo o mundo, a série Bose inaugurou uma nova combinação de pintura no Captur - carroceria Cinza Cassiopée com teto Prata Étoile, presente no modelo 1.6 CVT X-Tronic avaliado.

A série Bose do Captur tem o Media Evolution com tela de 7 polegadas sensível ao toque, que interage com Android Auto e Apple Carplay e permite usar Spotify, Waze, Google Maps (Android Auto) e áudios de WhatsApp. A configuração tem de série alarme, vidros elétricos, apoio de braço para o motorista, ar-condicionado automático, câmera de ré, chave-cartão, comando de áudio e de celular na coluna de direção (comando satélite), direção eletro-hidráulica, farol de neblina, sensor crepuscular, controle de cruzeiro com indicador e limitador de velocidade, regulagem de altura do volante, regulagem de altura para o banco do motorista, sensor de chuva, banco de couro, rodas aro 17 polegadas de liga leve diamantadas, assistente de partida em rampas (HSA), controle eletrônico de estabilidade (ESP), controle eletrônico de tração (ASR), freios ABS, Isofix e quatro airbags (dianteiros e laterais).

Com a motorização 1.6 16V flex, o Captur Bose rende 120 cavalos de potência e 16,2 kgfm de torque, independentemente da proporção de etanol e gasolina no tanque. O motor trabalha acoplado a um câmbio automático de variação contínua (CVT). No ano passado, quando a série Bose foi apresentada, era oferecida também na versão com o motor 2.0 16V, que entregava 143 cavalos e 20,2 kgfm com gasolina ou 148 cavalos e 20,8 kgfm quando abastecida com etanol, que trabalhava em parceria com um anacrônico câmbio automático de 4 marchas. A próxima geração do crossover, esperada para 2021 no mercado nacional, deverá marcar a estreia do novíssimo motor 1.3 turbo de 150 cavalos com gasolina. O Captur Bose parte de R$ 97.990, exatos R$ 2 mil a mais do que a versão "top" Intense.

Por dentro, o painel tem um cluster análogo-digital bem resolvido e de boa leitura, que incorpora indicador luminoso de função Eco e computador de bordo. Na parte central, um acabamento em preto brilhante com cromados envolve a multimídia Media Nav e o ar-condicionado automático. A pontuação atribuída para eficiência energética estimula a buscar mais economia, assim como os dados de desempenho. A câmera de ré é bastante eficiente, algo relevante em um SUV. O painel conta com um porta-objetos na parte superior, mas há pouco espaço para copos no console. Entretanto, a inegável atração da versão Bose é o sistema de som premium, que coloca a sonorização do Captur em um patamar usual só nos automóveis de luxo. É um sistema com nível de precisão e realismo impressionantes, equipado com sete alto-falantes, estrategicamente posicionados em cada parte do carro, para permitir uma melhor experiência acústica. Para proporcionar graves vibrantes e alta fidelidade sonora, o sistema de som incorpora ainda dois tweeters com ímã de neodímio no painel de instrumentos, dois woofers nas portas frontais e um subwoofer com ímã de neodímio. Para os leigos, tais informações técnicas podem significar pouco, contudo, os tímpanos captam a diferença e transmitem ao cérebro a clara percepção da qualidade sonora do veículo.

Ao ritmo da música

O crossover da Renault compartilha com o Kicks da Nissan a mesma caixa CVT X-Tronic. Com 6 marchas virtuais, a transmissão continuamente variável se harmoniza bem com o motor 1.6 16V CSe, que entrega 120 cavalos e 16,2 kgfm. Todavia o modelo da Renault é cerca de 140 quilos mais pesado em comparação ao da Nissan, o que torna o SUV da marca francesa menos ágil - algo notável principalmente quando é necessário acelerar forte para ganhar velocidade para uma ultrapassagem, por exemplo. Já o câmbio entrega o conforto que se espera de um CVT, embora eventualmente se torne rumoroso na busca da melhor relação de marcha. O motorista até pode controlar manualmente a passagem das marchas ao jogar a manopla do câmbio para a esquerda, porém o conjunto realmente não esbanja fôlego.

O porte do Captur também não colabora muito em termos de consumo. Segundo o Inmetro, o modelo roda 7,2 km/l na cidade e 10,5 km/l em rodovias, com etanol. Com gasolina, os números são 8,1 km/l e 11,7 km/l. As suspensões têm um ajuste sutilmente rígido, porém são bem calibradas e não maltratam os passageiros. Nas frenagens bruscas, o comportamento é bastante correto e transmite sensação de confiabilidade. A assistência eletro-hidráulica da direção não é tão leve nas manobras de estacionamento, contudo, é bastante precisa. Outro atributo do estiloso crossover da Renault é um isolamento acústico caprichado. Essa característica até ajuda a desfrutar melhor do ótimo som Bose, o grande "appeal" da série especial do Captur.

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