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Militares teriam aberto fogo contra o carro ao confundi-lo com um veículo de criminosos
Militares teriam aberto fogo contra o carro ao confundi-lo com um veículo de criminosos
Foto: Fabio Teixeira/Folhapress

Dez militares são presos após atirar em carro de músico

Pelo menos dez militares do Exército foram presos em flagrante pelo envolvimento no fuzilamento do carro de uma família no Rio

Pelo menos dez militares do Exército foram presos em flagrante pelo envolvimento no fuzilamento do carro de uma família em Guadalupe, na zona norte do Rio, no domingo. O músico Evaldo Rosa dos Santos, de 46 anos, morreu depois que o carro foi alvejado por mais de 80 tiros.

O músico levava a família para um chá de bebê no momento em que foi atingido por três disparos. O sogro de Evaldo também ficou ferido, mas se recupera bem. Outras três pessoas estavam dentro do carro, entre elas uma criança de 7 anos, não se feriram.

O filho mais velho do músico, Daniel Rosa da Silva, de 29 anos, contou que além dos 80 tiros disparados contra o carro de sua família, foram encontradas mais de 200 cápsulas no chão. Segundo a polícia, os militares teriam aberto fogo contra o carro ao confundi-lo com um veículo de criminosos que atuam na região.

Silva contou que não houve nenhuma abordagem oficial, nem mesmo um pedido para parar o carro ou prestar esclarecimentos. Os militares apenas atiraram contra o veículo. Em nota, o Comando Militar do Leste (CML) disse que ouviu o depoimento de 12 militares, dos quais dez foram presos em flagrante. Ainda segundo o CML, as prisões ocorreram "em virtude do descumprimento de regras de engajamento".

Uma testemunha civil também teria sido ouvida pelos militares. Os depoimentos foram acompanhados por um representante do Ministério Público Militar (MPM), que acompanha as investigações. "O promotor de Justiça Militar Fernando Hugo Miranda Teles, da Procuradoria de Justiça Militar no Rio de Janeiro, está em contato permanente com o general de Divisão Antonio Manoel de Barros, comandante da 1ª Divisão de Exército, unidade militar responsável pela apuração dos fatos", informou o MPM em nota. A deputada estadual Renata Souza (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj afirmou que pretende entrar com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo à instituição que investigue a morte de Evaldo. (EC)

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