últimas notícias

Condomínio abate capivaras em Itatiba

Depois da morte de um morador pela febre maculosa, em 2018, um condomínio residencial foi autorizado pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado a abater capivaras, em Itatiba, interior de São Paulo. O animal é hospedeiro do carrapato-estrela, transmissor da doença, através da bactéria Rickettsia. Até a tarde de quarta-feira (19), ao menos 30 capivaras jovens e adultas já tinham sido mortas. O abate causa polêmica entre os moradores e é criticado por ambientalistas, que defendem outras formas de controle do carrapato. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu informações à pasta.

A eutanásia das capivaras é realizada em um momento em que o roedor ganhou destaque, ao ser escolhido pela Conmebol como mascote da Copa América, que tem jogos até o dia 7 de julho no Brasil. Os animais estão sendo abatidos por uma consultoria ambiental contratada pelo condomínio. Os espécimes, inclusive filhotes, são capturados após serem atraídos para armadilhas instaladas no condomínio, com iscas como bananas e gomos de cana-de-açúcar. As capivaras mortas são incineradas ou descartadas em aterro
autorizado.

O síndico do condomínio Ville de Chamonix, José Augusto da Silva, disse que outras formas de controle não foram autorizadas pelos órgãos ambientais. "Pensamos em migrar os animais para outros locais e até em castrar, mas não conseguimos autorização. Em razão do óbito que aconteceu, o condomínio foi considerado área de risco para febre maculosa, por isso foi autorizado o abate", disse. A morte do morador aconteceu em janeiro de 2018. O condomínio tem 480 famílias.

O ambientalista e vereador em Valinhos, César Rocha (Rede), disse que matar as capivaras por causa do carrapato é uma medida covarde. "As capivaras são inocentes, não são elas que transmitem a doença. O transmissor é o carrapato que vai continuar vivendo", disse. A ONG União Protetora dos Animais, presidida por Rocha, iniciou um movimento na tentativa de salvar as capivaras. Numa rede de petições da comunidade, circula um abaixo-assinado contra o "assassinato" dos animais. (EC)

Tops da Gazeta