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Nesta segunda-feira, os policiais suspeitos de terem atirado em Ágatha prestaram depoimento na Divisão de Homicídios no Rio
Nesta segunda-feira, os policiais suspeitos de terem atirado em Ágatha prestaram depoimento na Divisão de Homicídios no Rio
Foto: REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Mourão defende atuação de policiais

O presidente em exercício, Hamilton Mourão, defendeu nesta segunda-feira a atuação de policiais no caso que resultou na morte da menina Ágatha Félix, de 8 anos, alvo de um tiro de fuzil no Complexo do Alemão. Mourão disse que o Rio de Janeiro vive em guerra e colocou em dúvida a versão da família de que ela foi atingida por disparo feito por policiais.

Nesta segunda-feira, os policiais suspeitos de terem atirado em Ágatha prestaram depoimento na Divisão de Homicídios no Rio de Janeiro.

"É aquela história, é a palavra de um contra o outro. E você sabem muito bem que nessas regiões aí de favela se o cara disser que foi traficante que atirou (contra a criança), no dia seguinte ele está morto", disse Mourão em conversa com jornalistas nesta segunda-feira. Para o presidente interino, a morte de Ágatha é culpa do narcotráfico. Segundo ele, pessoas ligadas ao tráfico de drogas colocam a população nas ruas das comunidades e depois atiram contra as tropas policiais.

"O Estado tem que fazer as suas operações e procurar de todas as formas possíveis a segurança da população. Eu comandei tropa que operou no (Complexo do) Alemão e na Maré, e o narcotráfico coloca a população na rua e atira contra a tropa. Então, ele (narcotráfico) coloca em risco a própria gente que habita aquela região", afirmou.

Mourão reforçou que há atuação de narcoquadrilhas em comunidades do Rio que estão estruturadas como as guerrilhas colombianas. E disse, ainda, que elas possuem uma "força de apoio" que poderia até responsabilizar policiais por confrontos.

"Elas (narcoquadrilhas) têm força de apoio... Aquela que varre a rua depois do confronto, aquela que diz que quem atirou foi a polícia, independente da investigação que tenha sido feita, é aquela que dá sustentação logística, é o fogueteiro que avisa que a polícia chegou", disse. "Infelizmente, a gente tem que reconhecer que determinados lugares do Brasil se vive uma guerra. E aí acontecem tragédias dessa natureza." Sobre o fato do episódio ter intensificado o debate sobre excludente de ilicitude, Mourão afirmou que a "emoção" em torno da morte da Ágatha pode prejudicar o debate no Congresso. "Dois policiais morreram. Ninguém comenta isso aí. Parece que dois cachorros morreram. Nós, força do Estado brasileiro, durante operação na Maré tivemos um morto e 27 feridos. Ano passado durante a intervenção no Rio de Janeiro tivemos três mortos. E ninguém toca nisso aí[..]". (EC)

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