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A expectativa é de uma melhora tímida mas consistente na economia nacional
A expectativa é de uma melhora tímida mas consistente na economia nacional
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O que esperar para a economia em 2020

Especialistas consultados pela Gazeta preveem um novo ano melhor do que o anterior, mas com crescimento ainda tímido em diversos setores

É quase consenso entre os economistas que 2020 será um ano de avanço lento e gradual da economia brasileira. Em 2019, a reforma da Previdência, comandada pelo ministro Paulo Guedes, e a estabilidade da inflação, que está prevista em 4,04% para o ano, foram os fatos positivos. Por outro lado, a disparada do dólar e os níveis alarmantes de desemprego trouxeram preocupação. A expectativa é de uma melhora tímida mas consistente na economia nacional.

Segundo Juliana Inhasz, coordenadora da graduação em Economia do Insper, 2020 será desafiador. A professora explica que alguns resultados de reformas e medidas econômicas que até então “estavam apagadas” surtiram efeito, o que deve trazer uma sensação de mais prosperidade.

“No entanto, temos grandes desafios pela frente. Fazer a economia voltar a crescer de forma sustentável e consistente não será tarefa fácil. Outras reformas, como a Fiscal, deverão ser discutidas e, na medida do possível, votadas e implementadas, o que poderá desviar parte dos esforços do governo para esfera política, prejudicando a retomada econômica em detrimento da necessidades institucionais”, diz.

O coordenador do curso de economia da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP), Joelson Sampaio, mostra otimismo. “As expectativas são boas para se ter uma economia com o crescimento do PIB maior do que em 2019 e de uma redução do desemprego. Os cenários para o novo ano são positivos neste sentido”. A projeção para o PIB de 2019 é de 1,17%, de acordo com o boletim Focus.

Em relação à inflação, a professora do Insper explica que o ano começa com uma pressão inflacionária maior do que a costumeira. Para ela, os acontecimentos dos últimos meses fazem com que o começo de 2020 seja levemente diferente. A carne, em conjunto com o petróleo, deve fazer com que os preços sejam mais altos no começo deste ano. “No entanto, não deve acontecer uma alta tão expressiva ou assustadora dos preços. Estamos falando de uma inflação um pouco mais alta do que aquela que vimos em 2019, mas nada próximo à inflação que tivemos nos períodos pré-crise”.

A criação de postos de trabalho, diz ela, deve acontecer naturalmente, quando a economia começar a dar sinais mais vigorosos de recuperação. Ela lembra, porém, que a reforma trabalhista, promulgada em novembro de 2017 pelo ex-presidente Michel Temer, não resultou em abertura de mais postos de trabalho.

“A reforma pouco se mostrou efetiva na criação de vagas, uma vez que a crise econômica foi extremamente agressiva, agindo em sentido oposto àquele que se esperava com a reforma: ao invés de criar postos, vimos redução dos mesmos. No entanto, importante lembrar que os postos informais já estão aparecendo na economia. O que nos falta é aumentar os postos de trabalho formais, que só aparecerão de fato quando a economia voltar a crescer de forma consistente, com perspectivas de crescimento sólidas. Essa criação de trabalho formal deve começar a acontecer neste novo ano, com o aumento do investimento e a solidificação da melhoria das expectativas do investidor”.

Para o coordenador da FGV, por sua vez, a recuperação do emprego deverá ser vagarosa. “Seria ótimo que fossemos surpreendidos, mas a princípio ainda será uma recuperação um pouco lenta no sentido do mercado de emprego”, diz.

Nova carteira não empolga

O governo Jair Bolsonaro criou por Medida Provisória (MP) a carteira verde e amarela. A proposta permite a contratação de jovens de 18 a 29 anos que recebam até um salário mínimo e meio. A ideia é que a nova carteira assegure apenas direitos constitucionais, como férias remuneradas, 13º salário e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

"Num primeiro momento pode ser uma forma interessante de dinamizar o mercado de trabalho para jovens. No entanto, acredito que falta um programa de qualificação e aumento de produtividade mais concreto em conjunto com medidas como esta que tornem mais efetiva a tentativa do governo de resolver o problema. As medidas parecem muito emergenciais, mas pouco efetivas", diz Juliana Inhasz.

A MP precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado para se converter definitivamente em lei ordinária.

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