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Presidente sancionou na quarta-feira (11) o projeto de conversão de lei de liberação de saques do FGTS
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Foto: LIAMARA POLLI/AM PRESS & IMAGES/FOLHAPRESS

Bolsonaro brinca sobre 'dar golpe' em Cúpula

DECLARAÇÃO. 'Quero continuar presidente, não dá pra dar um golpe, não?', brinca Bolsonaro em Cúpula do Mercosul

Sem perceber que os microfones de tradução simultânea da Cúpula do Mercosul, realizada em Bento Gonçalves (RS), seguiam ligados, Jair Bolsonaro fez uma brincadeira ao passar a presidência do bloco econômico ao líder do Paraguai, Mario
Abdo Benítez.

Presidente do Mercosul até esta quinta-feira, Bolsonaro entregou a Abdo Benítez o martelo que simboliza a troca de comando do grupo sul-americano. Segundo a tradição, quando a presidência temporária passa de um país para outro, o novo líder martela um pedaço de madeira.

Após o paraguaio cumprir o gesto, Bolsonaro brincou: "Quero continuar presidente, não dá pra dar um golpe, não? Tudo quando eles perdem dizem que é golpe. É impressionante, né?". Abdo Benítez riu.

Há menos de um mês, Evo Morales renunciou à Presidência da Bolívia pressionado por manifestações populares e pelas Forças Armadas. A sugestão do comando militar para que deixasse o poder foi chamado de golpe de Estado pelo líder indígena.

Evo classificou da mesma forma a autoproclamação de Jeanine Añez como presidente interina do país, uma vez que a senadora assumiu o cargo a partir de uma interpretação controversa da Constituição e do regimento do Senado boliviano.

Na abertura do encontro presidencial da cúpula do Mercosul, Bolsonaro e o atual mandatário argentino, Mauricio Macri, mandaram recados ao centro-esquerdista Alberto Fernández, eleito presidente em outubro. A cerimônia de posse está marcada para a próxima
terça-feira (10).

Bolsonaro disse que o bloco "não pode perder tempo, nem podemos aceitar retrocessos ideológicos" e enfatizou a necessidade de enxugar ainda mais a estrutura do Mercosul e de reduzir a TEC (tarifa externa comum).

Macri reforçou a mensagem. Indicou que os avanços de seu período à frente da Argentina, durante o qual foram assinados acordos com a União Europeia e com a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio, na sigla em inglês), deveriam continuar.

Fernández tem críticas e quer revisar ambos os pactos. "Não se deve abandonar o que avançamos no Mercosul", afirmou Macri.

Já Abdo Benítez, a quem Bolsonaro chamou de "meu irmão paraguaio", agradeceu o brasileiro por seu "apoio quando houve uma ameaça à nossa democracia", referindo-se ao processo de impeachment contra ele, em agosto. O Planalto atuou para arrefecer o processo, como acabou acontecendo.

Os líderes do Mercosul também discutiram a crise na Bolívia. A voz dissonante veio do Uruguai, por meio da vice-presidente Lucía Topolansky, que definiu a crise no país andino como "um rompimento institucional".
(FP)

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