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O Parlamento confirmou nesta terça Pedro Sánchez como novo primeiro-ministro
O Parlamento confirmou nesta terça Pedro Sánchez como novo primeiro-ministro
Foto: EVA ERCOLANESE/FOTOS PÚBLICAS

Sánchez é eleito primeiro-ministro da Espanha e encerra paralisação de 8 meses

Com isso, a Espanha deixa um impasse de quase um ano. Sánchez estava no cargo de premiê desde junho de 2018

Pela primeira vez desde a redemocratização, nos anos 1970, a Espanha será governada por uma coalizão de esquerda. O Parlamento confirmou nesta terça-feira (7). Pedro Sánchez como novo premiê, cujo governo será composto pelo PSOE e pelo Podemos.

O resultado foi apertado: 167 votos a favor e 165 contra, fora 18 abstenções. Para a vitória, ele necessitava apenas de maioria simples (mais votos "sim" do que "não"). Segundo o jornal El País, foi o resultado mais apertado da história da democracia espanhola. A Casa soma 350 deputados.

Com isso, a Espanha deixa um impasse de quase um ano. Sánchez estava no cargo de premiê desde junho de 2018. Ele convocou eleições em fevereiro de 2019, após não conseguir aprovar o Orçamento. Nos meses seguintes, houve duas eleições, nas quais o PSOE saiu vencedor, mas teve dificuldade para conseguir um acordo com o Podemos. Nesse período, o socialista seguiu no cargo de forma interina.

Com 140 anos de história, o PSOE se alterna no poder com o direitista PP desde a década de 1980. Já o Podemos foi criado em 2014, com postura mais radical e defesa de temas como a igualdade de gênero, o combate à desigualdade social e os direitos LGBT.

Pablo Iglesias, líder do Podemos, será vice-presidente de governo, cargo número 2 na hierarquia do Executivo espanhol. Membros da legenda chefiarão alguns ministérios.

Sánchez será empossado oficialmente pelo rei Felipe 6º em um encontro nesta quarta (8). "A Espanha dá início a um tempo para reivindicar o diálogo e a política útil. Um governo para todos e todas, que amplie direitos, restaure a convivência e defenda a justiça social", disse o novo governante. O novo governo, que terá inicialmente quatro anos de mandato, promete rever uma reforma trabalhista feita pelo governo anterior, aumentar impostos para os mais ricos, elevar salários e lutar pela igualdade entre os gêneros. Apesar de planejar aumentar os gastos sociais, os partidos prometem respeitar regras de austeridade fiscal.

No entanto, a falta de apoio no Parlamento poderá dificultar a aprovação de propostas. E a oposição terá a presença estridente do partido de ultra direita Vox.

No debate antes da votação de investidura, Santiago Abascal, líder do Vox, acusou o novo governo de ser integrado por "comunistas, com vínculo estreito com ditaduras e narcotraficantes e com a aprovação do ETA". Iglesias, do Podemos, já elogiou o regime chavista da Venezuela, mas depois disse ter se arrependido.

Nas semanas de negociação pós-eleitoral, Sánchez se posicionou como alternativa para conter o avanço da direita radical, que ele chama de "coalizão do apocalipse", e manter as autonomias regionais.

O novo premiê, de 47 anos, se filiou ao PSOE aos 21, em 1993. Na juventude, enfrentou períodos de desemprego. Foi tentar a sorte em Bruxelas, onde fez um mestrado e trabalhou na União Europeia.

Ao voltar para a Espanha, obteve o cargo de conselheiro em Madri e depois deputado, mas sem ser eleito: era suplente e acabou ficando com as vagas quando os titulares renunciaram.

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