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A ideia é fazer a prova por meio de uma gravação da leitura da criança
A ideia é fazer a prova por meio de uma gravação da leitura da criança
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

MEC quer criar teste de leitura para crianças do fundamental

O teste está sendo chamado de Avaliação Nacional de Fluência e faz parte de um programa de alfabetização

O Ministério da Educação (MEC) quer lançar uma avaliação ainda este ano para medir quantas palavras por minuto são lidas pelas crianças do 2º ano do ensino fundamental. O teste está sendo chamado de Avaliação Nacional de Fluência e faz parte de um programa de alfabetização, cujo texto a reportagem do jornal O Estado de S.Paulo teve acesso. O documento ainda fala em reformular o programa de livro didático e dar prêmios a professores por desempenho ao ensinar a ler e escrever.

Segundo o texto, a "fluência em leitura é um dos mais fortes indicadores de sucesso na alfabetização". A prova deve medir se a criança lê com "bom ritmo, precisão e velocidade". Testes de fluência são usados por redes de ensino ou educadores que acreditam que a leitura é uma decodificação e são mais ligados ao método fônico de alfabetização, em que há ênfase para os sons das letras.

Outros grupos criticam esse tipo de avaliação por considerarem uma pressão desnecessária à criança, no caso, de 8 anos. Também acreditam que a velocidade não demonstra que ela compreende o que lê.

A ideia é fazer a prova por meio de uma gravação da leitura da criança, no fim de 2020. Essa gravação seria enviada para uma entidade, ligada ao MEC, que faria a medição e daria o resultado. Ela aconteceria em redes estaduais e municipais que aderirem ao programa batizado de Tempo de Aprender. Segundo fontes, o MEC pretende lançar o programa antes do Carnaval.

Estudos internacionais falam de uma expectativa de 60 a 150 palavras por minuto para crianças do 1º ao 5º ano. A cidade de Sobral, no Ceará, faz testes do tipo com seus alunos desde o 1º ano e espera que leiam 60 palavras por minuto. Escolas particulares de elite de São Paulo, por exemplo, não aprovam e não usam avaliações de fluência.

"É muito discutível dizer que leitores fluentes compreendem melhor o que leem, especialmente quando se fala em crianças", diz a especialista em alfabetização e professora da Universidade de São Paulo (USP) Silvia Colello. Segundo ela, a fluência pode ser importante para um adulto. Ela ainda acredita que a própria situação de colocar a criança diante de um gravador para ler em voz alta já prejudica o resultado, pela pressão causada.

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