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O delegado Maurício Valeixo, ex-chefe da Polícia Federal, 
é pivô central nas crises entre Sergio Moro e Jair Bolsonaro
O delegado Maurício Valeixo, ex-chefe da Polícia Federal, é pivô central nas crises entre Sergio Moro e Jair Bolsonaro
Foto: José Cruz/Agência Brasil

‘Bolsonaro queria um diretor-geral com quem tivesse mais ‘afinidade’, afirma Valeixo

Ex-chefe da Polícia Federal prestou depoimento para investigadores que apuram se houve interferência política de Bolsonaro na PF

O delegado Maurício Valeixo, ex-chefe da Polícia Federal, prestou depoimento nesta segunda-feira na superintendência da corporação, em Curitiba. Durante seu depoimento, Valeixo afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) lhe disse que queria um diretor-geral com quem tivesse mais ‘afinidade’. O delegado foi ouvido por investigadores que apuram se houve interferência política de Bolsonaro na PF.

Também estavam previstas para esta segunda as oitivas do delegado Ricardo Saadi, ex-chefe da PF no Rio, e do diretor da Agência Brasileira de Inteligência Alexandre Ramagem Rodrigues.

Já nesta terça-feira serão ouvidos, no Palácio do Planalto, os ministros Walter Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

 

PIVÔ DE CRISE.

O depoimento de Valeixo foi agendado após determinação do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, relator da investigação que apura as acusações feitas por Moro a Bolsonaro quando anunciou sua saída do governo. O decano atendeu a pedido do procurador-geral da República Augusto Aras e determinou ainda a oitiva de outros quatro delegados, três ministros e da deputada Carla Zambelli.

Valeixo é pivô central nas crises entre e Moro e Bolsonaro. O primeiro dos atritos públicos entre o presidente e o ex-ministro, relacionada a primeira tentativa do Planalto de trocar o comando da PF no Rio, incluiu até uma ameaça de demissão de Valeixo. Já a crise mais recente culminou na demissão de Moro da pasta de Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, sendo que ao anunciar sua saída do cargo, o ex-juiz acusou o presidente de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência.

Antes da formalização da demissão, Moro chegou a avisar o presidente que deixaria a equipe caso ele impusesse um novo nome para a diretoria-geral da PF. Na prática, Valeixo já havia tratado com Moro de sua saída do cargo, reportando-se a um 2019 tenso no comando da PF. Moro buscava encontrar um nome de sua confiança quando foi surpreendido pelo comunicado de Bolsonaro de que mudanças na corporação ocorreriam nos próximos dias.

A exoneração de Valeixo do comando da PF foi publicada dias depois do aviso, na madrugada do último dia 24. Após a saída de Valeixo e Moro do governo escolheu André Mendonça e Alexandre Ramagem para a pasta da Justiça e Segurança Pública e para a chefia da PF, respectivamente. No entanto, a nomeação de Ramagem, amigo da família Bolsonaro, foi barrada por decisão do ministro Alexandre de Moraes. A União acabou revogando o ato e nomeou Rolando Alexandre, braço direito de Ramagem na Abin, para a diretoria-geral da PF.

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