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Major Olimpio (PSL), em entrevista na redação da Gazeta
Major Olimpio (PSL), em entrevista na redação da Gazeta
Foto: Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

O Brasil chora seus 20 mil mortos

Ao presidente, governadores e prefeitos, é preciso todo esforço e dedicação absoluta ao enfrentamento dessa crise; caixão não é palanque eleitoral

O Brasil chora. No último dia 21 de maio infelizmente alcançamos o número fúnebre de 20 mil mortos por Covid-19. Vinte mil vidas de brasileiros que se foram, que lutaram contra essa doença.

Vidas essas que se foram somadas às cenas de enterros coletivos, pessoas desesperadas em frente às unidades de saúde em busca de atendimento, profissionais de saúde, assim como outras categorias, importantes tanto quanto, expostos às dificuldades e ao risco de contágio. Um drama que estamos vivendo e que tem sensibilizado todo o Brasil.

Ao presidente, governadores e prefeitos, é preciso todo esforço e dedicação absoluta ao enfrentamento dessa crise. Caixão não é palanque eleitoral. Erra quem estimula aglomerações. Erra aquele que se posiciona como o "Salvador do Mundo", ou melhor, o "Senhor do Apocalipse". Erra quem acha que é o dono da razão.

É de conhecimento de todos que as medidas que deram certo ao redor do mundo se pautaram no equilíbrio, na ciência e, principalmente, no planejamento adequado.

Como ter uma fórmula perfeita apenas para um país? Em destaque o Brasil, com dimensões continentais?

É preciso que as autoridades reconheçam seus pontos fracos e se redimam para amenizar o sofrimento de tanta gente.

Infelizmente, nós, brasileiros, nos deparamos com um país em meio a uma guerra política, revestida de egos exaltados das autoridades competentes que poderiam e deveriam nortear a sua nação, que se encontra assolada e com medo da pandemia.

Isso tudo, vai ao desencontro e na contramão de outros países que somaram forças entre os seus Poderes nesse momento tão doloroso.

No Brasil, observamos de forma espantosa e incrédula a autoridade máxima do Executivo de um Estado soberano, o Presidente da República, prescrevendo remédio. Governadores querendo exercitar um poder ditatorial regado de ameaças e prisões. Um Supremo Tribunal Federal julgando sempre para restringir o Presidente da República.

E o povo? Os brasileiros, em consequência, e de forma inconsequente dos mandatários, ficam nesta dividida perigosa, como se fosse um Corinthians x Palmeiras, esquerda versus direita ou Sul contra Norte. Uma população escanteada para os lados morrendo pouco a pouco, ou, na pior leitura, morrendo assustadoramente. São quase três aviões cheios de passageiros caindo todos os dias.

Isso não é hora para comemorações ou propagandas eleitorais disfarçadas de bom samaritano. Como o lobo em pele de cordeiro.

Isso é hora de trabalho em equipe, de trabalho esforçado, e principalmente discreto. Assim como, incentivar, apoiar e proteger os bravos e competentes profissionais que estão na linha de frente nessa guerra invisível contra o vírus.

Reitero. Isso não é hora de politicagens, tampouco de disputas. É hora de solidariedade, atitude colaborativa, que agregue valor. É hora de estender as mãos ao próximo com um único objetivo: ajudar.

Nesse momento crítico, como senador da República, me debruço de forma integral para ajudar a população criando mecanismos e leis para socorrer de forma emergencial os mais necessitados que tanto precisam de atenção nesse momento tão doloroso.

Tenho concentrado esforços para socorrer especificamente, nesse momento, os brasileiros na área da saúde, que tanto carece de recursos, assim como, paralelamente na área econômica, para proteger os empregos dos brasileiros, as pequenas, médias e grandes empresas que mantêm os assalariados e a abertura gradual dos comércios respeitando as orientações da Organização Mundial da Saúde, e principalmente garantindo o prato de comida na mesa dos mais humildes.

Na minha origem familiar, sei o que é a dor e o valor da vida. Assim como, na minha vida policial, a dar a vida a outrem, se preciso for.

Rezo para que esse momento de dor passe de forma célere, para que possamos restabelecer nosso dia a dia, e que cada lágrima chorada, cada pranto daquela mãe e filho que perderam seus entes queridos no Brasil e no mundo, possa servir de lição de vida aos mortais. Algo a ser incorporado para as próximas gerações.

Deus quisesse que fossemos aprender com a dor e mostrasse a nossa pequenez e fragilidade humana. De outro lado também nos mostrou que a junção da coletividade não nos faz desistir, jamais, de alternativas e modos para resolvermos qualquer problema.

A cada vida perdida minha solidariedade, orações e respeito.

*Major Olímpio (PSL-SP) é senador da República

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