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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Opção de Lula por Mantega em publicação adia disputas no PT por porta-voz na economia

Segundo aliados de Lula, a escalação de Mantega é a tentativa de resgate de um injustiçado

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu o ex-ministro Guido Mantega para assinar um artigo publicado, nesta terça-feira (4), pelo jornal Folha de S.Paulo dentro para a série sobre "pensamentos econômicos de pré-candidatos" à Presidência. 

Segundo aliados de Lula, a escalação de Mantega é a tentativa de resgate de um injustiçado. Além de uma reparação, a reinserção de Mantega no debate político adia disputas internas pelo papel de porta-voz do ex-presidente em matéria econômica, inclusive junto ao empresariado. 

Antes de optar por Mantega, Lula discutiu com colaboradores a possibilidade de o texto ser assinado por uma dupla, ou trio, de economistas, afastando com isso a ideia de que já teria escolhido um representante para o tema. 

A hipótese de redação conjunta foi, no entanto, descartada para afugentar a interpretação de, por ser produzido a quatro mãos, consolidasse um projeto definitivo de Lula. 

O próprio texto traz uma ressalva: "este artigo não expressa o ponto de vista da candidatura Lula, que ainda não foi lançada, sendo o resultado das discussões de um grupo de economistas que assessoram o ex-presidente Lula". 

Aliados de Lula chegam a usar a expressão rodízio para justificar a assinatura de Mantega. 

Marginalizado politicamente desde que deixou o Governo Dilma, Mantega não é visto como uma ameaça a seus pares. Ele foi ministro do Planejamento (2003-2004), presidente do BNDES (2004-2006) e ministro da Fazenda (2006 a 2014). 

Ele deixou a pasta no auge de uma crise econômica. Petistas debitam na conta de Mantega a desoneração da folha de pagamentos -um dos principais alvos de críticas de Lula ao governo Dilma. 

Em setembro de 2016, Mantega foi detido temporariamente sob acusação de solicitar ao empresário Eike Batista o repasse de R$ 5 milhões ao PT para pagar dívidas de campanha, em novembro de 2012. 

Ele se apresentou à Polícia Federal na porta do hospital onde acompanhava a cirurgia da mulher, que fazia tratamento contra um câncer. No mesmo dia, o então juiz Sérgio Moro revogou a prisão por considerar que o ex-ministro não oferecia risco à investigação da Lava Jato. Petistas chamaram a operação de desumana. 

Desde então, Mantega se mantém longe de holofotes. Mas tem participado de reuniões de economistas sob a coordenação do ex-ministro Aloizio Mercadante, hoje presidente da Fundação Perseu Abramo. 

Vinculada ao PT, a fundação foi excluída da redação do artigo, evitando que fosse encarado com um programa partidário. Originalmente, o texto traria uma análise técnica do cenário econômico. Mas ganhou forma de um manifesto de oposição ao governo Bolsonaro. 

"O que está em jogo nas próximas eleições é se continuaremos com a política econômica desastrosa do governo Bolsonaro e de outros candidatos neoliberais, ou se vamos retomar a via do social-desenvolvimentismo rumo ao Estado de bem-estar social", conclui.

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