Ailton Krenak diz que desaparecidos na Amazônia sumiram em área conhecida

Líder indígena comentou o desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Pereira durante sua participação na Feira do Livro nesta quinta (9)

Líder indígena, Ailton Krenak

Líder indígena, Ailton Krenak | Agência Brasil

Uma das principais lideranças indígenas do país, o escritor Ailton Krenak comentou o desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira durante sua participação na Feira do Livro, que acontece no Pacaembu nesta quinta.

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“Dois cidadãos foram desaparecidos na Amazônia agora, vocês sabem?”, disse ele, em meio a críticas à exploração predatória da região. “Foram abduzidos. E num trecho de floresta em que os nossos parentes são capazes de localizar até mesmo um mico.”

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Krenak palestrou sozinho, já que Yussef Campos, coautor de “Lugares de Origem” que dividiria a mesa com ele, recebeu um diagnóstico de Covid e não pôde participar do evento.

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A fala sobre os desaparecimentos foi interrompida quando um grupo de adolescentes saiu aos gritos de uma visita ao Museu do Futebol, que fica a poucos metros do palco onde a mesa ocorria. Mas Krenak retomou a crítica ao garimpo mais tarde, quando que era a atenção de pessoas como a plateia do evento que protegia ativistas vocais como ele do “raio laser” dos exploradores ilegais das regiões florestais.

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A mesa foi paralisada por um homem que se aproximou da mesa e bradou contra o escritor. Ele foi convidado a fazer uma pergunta ao microfone e questionou quais eram os possíveis benefícios da exploração do ouro. Krenak respondeu que não vê “nenhum motivo para tirar ouro de lugar nenhum a não ser para fazer a dentadura de alguém”, ao que foi aplaudido de pé, sob gritos de “fora, Bolsonaro” e “fora, garimpo”.

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O líder indígena acrescentou depois uma máxima que deu o tom geral de sua fala -e de boa parte de sua produção literária recente. “Quando tiver acabado o último peixe e a última floresta as pessoas vão entender que a gente não come dinheiro.”

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Durante a palestra, Krenak fez ainda críticas à guerra na Europa – “estão querendo meter um míssil em Tchernóbil” -, particularmente à intervenção dos Estados Unidos no continente em apoio à Ucrânia.

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“Quanto o Biden deu da coleta que fez na igrejinha dele para a Europa? Deu bilhões para a guerra. Míssil a gente gasta igual fósforo. Estão despejando míssil ali como se fosse a contribuição dos Estados Unidos para a mudança do clima.”