X

SAÚDE

Dia Nacional de Prevenção da Obesidade: profissional explica os riscos do aumento de peso

De acordo com pesquisa, 24,3% da população adulta no Brasil possui esta condição

Nathalia Fruchi/Assistente de Redação*

Publicado em 26/10/2023 às 16:00

Comentar:

Compartilhe:

A-

A+

Número de pessoas adultas com obesidade é de 24,3% segundo dados da última Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) realizada em 2023 / i yunmai/ Unsplash

O Dia Mundial da Obesidade e o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade ocorreu no dia 11 de outubro. Segundo dados da última Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) realizada em 2023, a condição continua a crescer no País, com um índice alarmante de 24,3% da população adulta acima do peso ideal. 

Em termos práticos, isso equivale a um em cada quatro brasileiros apresentando um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30.

A Gazeta ouviu Danielle Arisa Caranti, doutora em nutrição e coordenadora do Grupo de Estudos da Obesidade (GEO) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Érika Sumi que é médica da Prefeitura Municipal de São Paulo e a mestre em nutrição Yasmin Alaby que explicaram sobre a batalha contra esse problema de saúde pública. Veja abaixo:

O que é obesidade?

"A obesidade é uma doença crônica, de causa multifatorial, influenciada por fatores genéticos, ambientais, fisiológicos e psicológicos, contribuindo com o acúmulo exacerbado de gordura principalmente no tecido adiposo branco. Ela acomete todas as faixas etárias, classe socioeconômica e sexos", explicou Danielle.

Quais são os níveis de obesidade existentes?

 A coordenadora do Grupo de Estudos da Obesidade (GEO) explicou à Gazeta que para definir os níveis de obesidade existente é utilizado o Índice de Massa Corporal (IMC), que é um método prático, simples e de baixo custo, muito utilizado para avaliar o estado nutricional e classificação da obesidade para adultos em 3 níveis: obesidade grau I, II e III. 

Para o diagnóstico da obesidade em adultos, o parâmetro utilizado pelos profissionais é o do Índice de Massa Corporal (IMC).  O índice considera obesas as pessoas com IMC superior a 30 kg/m2.

  • Grau I: Para este grau, é definido que a gravidade está em moderado excesso de peso, isso é quando o IMC se situa entre 30 e 34,9 kg/m2. Já as que têm IMC entre 25 e 29,9kg/m2 são portadoras de sobrepeso;
  • Grau II: para se enquadrar no grau II, a pessoa está em uma classificação de obesidade leve ou moderada, com IMC entre 35 e 39,9 kg/m2 e;
  • Grau III: Já esse grau está situado em pessoas com a classificação médica de obesidade mórbida,  na qual o IMC ultrapassa 40 kg/m2. 

 A especialista informou que a avaliação de criança (a partir dos 5 anos) e do adolescente é utilizado outro método sendo usados diagnósticos nutricionais,  curvas de crescimento que avaliam o índice antropométrico (medida das dimensões físicas de uma pessoa) de IMC para idade, como foi proposto pela Organização Mundial da Saúde, ajustado por gênero e idade.

Quais são os principais fatores que contribuem para a obesidade?

Danielle explicou que há diversos fatores que influenciam a obesidade, porém sabe-se que a má alimentação e o contexto de estilo de vida, como o sedentarismo, assim como o balanço energético positivo, são os principais fatores para o desenvolvimento da obesidade.

Como a atividade física pode ajudar na prevenção desses fatores?

"O estilo de vida atual impõe um ritmo acelerado que, por vezes, se mostra um obstáculo que não permite que as pessoas invistam nos cuidados com a saúde, entre eles os cuidados com a saúde. O exercício aeróbico é a modalidade mais indicada para a perda de peso, balanço energético negativo e está associado com maiores benefícios para aumento da aptidão física em geral", pontuou a coordenadora do Grupo de Estudos da Obesidade.

A profissional informou que, para alcançar os benefícios da prática regular de exercício físico em adultos, estudos sugerem que sejam realizados exercícios aeróbicos de moderada a alta intensidade por no mínimo 150 minutos por semana e quando possível acrescentar o treinamento resistido, 2 a 3 vezes por semana, com carga de 60-70% de uma repetição máxima.

Hoje está disponível o Guia de Atividade Física da População Brasileira, que esclarece a importância da prescrição dos exercícios nessa população com obesidade ou alguma doença crônica.

Qual é o papel específico do exercício regular na prevenção da obesidade, especialmente em crianças e adolescentes?

A coordenadora explicou que o hábito constante de exercícios físicos foram positivos aos adolescentes e crianças que melhoram a qualidade da dieta e prática regular de exercícios físicos. Entre os aspectos que impactaram positivamente foi analisado que o organismo dos jovens estava se protegendo contra o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como:

  • Obesidade;
  • Resistência à insulina;
  • Esteatose hepática não alcoólica (fígado gorduroso) e;
  • Marcadores inflamatórios que demonstram a diminuição da inflamação subclínica. 

Outros dados recém divulgados Grupo de Estudos da Obesidade publicados na literatura científica apontam que o exercício físico associado a uma terapia interdisciplinar contribui para:

  • Redução da asma;
  • Melhora da função pulmonar;
  • Contribuiu com a manutenção da massa livre de gordura e; 
  • Melhora do perfil lipídico sanguíneo em adolescentes.

Quais são os fatores de risco de alguém que está obeso?

"A obesidade está associada com diversas patologias e com o câncer, além de uma menor expectativa de vida. Dentre os principais fatores estão as doenças cardiovasculares, que estão relacionadas com quase 1/3 das mortes no Brasil", pontuou Danielle. 

Além disso, informou que alterações metabólicas (como dislipidemia, hipertensão arterial, resistência à insulina, intolerância à glicose e diabetes e gordura no fígado) são fatores que influenciam diretamente na qualidade de vida.

Além do exercício, qual é a importância da nutrição equilibrada no contexto da prevenção da obesidade?

A mestre em nutrição Yasmin Alaby também esclareceu que a alimentação é o fator que tem maior peso na determinação de doenças crônicas como a obesidade. O consumo exacerbado de bebidas adocicadas, fast-foods e doces correlacionam-se com o aumento de peso e IMC.

"O consumo de alimentos processados e ultraprocessados contribuem com a ingestão de alimentos mais calóricos com baixo teor de nutrientes, assim o consumo crônico e excessivo desses alimentos proporcionam um balanço energético positivo. Ou seja, a pessoa consome mais energia do que gasta, facilitando o aumento de peso. Para isso, nós profissionais da saúde indicamos e utilizamos como referência o Guia Alimentar da População Brasileira de 2014 que está disponível na internet de forma gratuita", explicou Yasmin.

A tecnologia e os dispositivos móveis podem ser usados de forma positiva para promover a atividade física e combater a obesidade?

Para Danielle, a tecnologia pode ajudar no tratamento da obesidade com o uso de aplicativos para controle do número dos passos diários. Porém, a profissional alerta que o tempo de tela, seja em computadores, celulares ou outros, pode ser prejudicial, aumentando o comportamento sedentário do indivíduo obeso. 

"Sempre que possível, substitua o celular, computador, tablet, videogame e televisão por atividades de movimento e menos paradas. Você pode até mesmo utilizar esses recursos para dançar, cantar e se movimentar. Hoje em dia existem aplicativos que ajudam e incentivam as pessoas a se movimentarem", concluiu a profissional.

Que conselhos você daria para as pessoas que querem melhorar seu estilo de vida e sair do quadro de obesidade?

O  principal conselho da Érika Sumi, Médica da Prefeitura Municipal de São Paulo e também pesquisadora do (GOE), é que a pessoa procure sempre uma equipe interprofissional qualificada para tratar a obesidade (médico, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, por exemplo), pois a obesidade é uma doença crônica multifatorial que não tem cura somente tratamento.

Uma abordagem adequada irá orientar e fornecer uma rede de apoio que atue em todos esses âmbitos para que o tratamento seja eficaz e contínuo. Segundo a profissional, as pessoas já podem começar a seguir certo passos para melhorar a qualidade de vida e sair do quadro de obesidade, sendo eles:

  1. Não se deixe levar pelos padrões estéticos dos dias atuais.
  2. Procure ter um estilo de vida mais ativo. Inclua atividades no seu dia a dia como caminhar pequenas distâncias em vez de usar o carro ou use a bicicleta. Há também a possibilidade de trocar a escada rolante e o elevador pelas escadas.
  3. Exercite-se regularmente, se possível 4 a 5 vezes na semana. Além disso, se exercitar deve ser algo prazeroso. Assim, o que é permitido aqui é escolher qual tipo de exercício você irá se identificar mais. Lembrando que o ideal seria a associação de exercícios aeróbicos (andar, correr, pedalar, nadar etc) e de treinamento resistido (musculação), já que elevariam a taxa de metabolismo basal pelo ganho de massa magra e otimização da oxidação das gorduras.
  4. O comportamento alimentar é determinante: anote o que, onde e por que você come, não se recompense com comida. Procure comer devagar e com atenção. Deguste o alimento com atenção plena. Quanto maior o tempo de mastigação, maior o contato do alimento na boca, maior saciedade e prazer.
  5. Descubra-se na cozinha! Cozinhe mais. Procure comprar mais alimentos frescos e reduza o consumo de alimentos prontos ou ultraprocessados.
  6. Comer é um grande prazer, mas não deve ser o único na sua vida. Ir a restaurantes e lanchonetes não devem ser os únicos programas de lazer. Procure fazer atividades físicas no horário de lazer.
  7. Tenha atenção plena ao comer, não vale comer na mesa de trabalho, mexendo no celular ou assistindo televisão.
  8. Não fume.
  9. Procure dormir entre 6 a 8 horas por dia. 
  10. Prefira água em vez de sucos, bebidas açucaradas e refrigerantes. Evite bebidas alcoólicas, que, além de muitas calorias, atrapalham na qualidade do sono e no ganho de massa magra.

Por fim, a médica alertou que seguir as dietas da moda ou tomar suplementos ou medicamentos sem prescrição médica podem ser prejudiciais à sua saúde trazendo danos ao seu corpo que muitas vezes não poderão ser revertidos. A melhor forma é buscar um plano alimentar prescrito por um profissional especializado e sempre será aquele que você conseguirá ter maior adesão. Ela disse que está se falando em doença crônica, ou seja, precisa de tratamento contínuo e supervisionado.

*Assistente de Redação, sob supervisão de Matheus Herbert.
 

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Reforma no interior

Prefeitura de Nova Europa abre licitação de R$ 360 mil para reforma de escola municipal

Início de recebimento das propostas será a partir do dia 18 de junho e da disputa de preço será dia 2 de julho

PROPAGANDA ANTECIPADA

Pré-candidata do Novo critica valor de multas a Lula e Boulos

TRE-SP condenou Lula a pagar R$ 20 mil por propaganda antecipada, enquanto Boulos foi multado em R$ 15 mil

©2021 Gazeta de São Paulo. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

Newsletter