Empregos digitais crescem no Brasil; você está preparado?

Segundo pesquisa, os empregos digitais cresceram quase 5% em cinco anos. Acréscimo foi maior do que o dos empregos formais

O descanso é garantido para profissionais que não fazem parte de serviços essenciais e trabalham com carteira assinada

Até 2025 serão demandadas mais de 770 mil posições de empregos digitais em vários setores econômicos | Laptop Racool_studio no Freepik

O mercado de trabalho está mudando e é preciso investir em novas habilidades se quiser conquistar uma oportunidade em 2023 ou em um futuro não muito distante. Ao menos é para essa direção que aponta a pesquisa “Transformação digital, produtividade e crescimento econômico”, desenvolvida pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

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De acordo com o levantamento, nos últimos cinco anos, o número de empregos digitais teve crescimento de 4,9%. O percentual é maior ao verificado nos empregos formais.  Porén, conseguir mão de obra para preencher estas vagas ainda é difícil.

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“Até 2025 serão demandadas mais de 770 mil posições desses empregos digitais em vários setores econômicos. Contudo, hoje, o Brasil forma cerca de 54 mil pessoas em funções relacionadas a tecnologia, considerando ensino superior e técnico. Então, o que vemos é que o gargalo é bastante acentuado e que o déficit entre formação de mão de obra e demanda é bastante ampliado”, observa Tatiana Ribeiro, diretora-executiva do Movimento Brasil Competitivo.

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Gerando interesse
Na opinião de Tatiana, para driblar a falta de mão de obra para o mercado digital no futuro, é necessário  gerar interesse nos jovens de seguirem tais carreiras.

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“Quando avaliamos os dados de formação de mão de obra, vemos que estamos bastante distantes do necessário. Assim, existe o desafio de gerar maior interesse para que jovens tenham vontade de perseguir carreiras relacionadas à ciência e tecnologia. Também há o desafio de alfabetizar digitalmente a nossa população e avançar desde à escola, levando competências digitais básicas para que possamos durante a trajetória de formação gerar interesse e assim ampliar o número de profissionais formados nestas áreas”, avalia.

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O CEO e fundador da empresa de tecnologia Qodeless, Eliel Ebenézer, tem opinião parecida. Para ele, governos, sociedade e empresas devem ter iniciativas para superar a falta de qualificação da população.

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“O emprego digital é a nova tendência do mercado. No período da pandemia teve um crescimento imenso, e mesmo após a pandemia ele não perdeu o seu espaço (…). Para driblar a falta de mão de obra é preciso incentivar o interesse por cursos, facilitar acesso à plataformas gratuitas, inserir cursos na grade escolar.  Temos maneiras para contornar essa situação e poder ajudar a gerar oportunidade de emprego para muitas pessoas”, diz Ebenézer.

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Hoje e amanhã
Na opinião dos profissionais, quem já está no mercado de trabalho precisa buscar qualificação para se inserir neste mercado.

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“Para se inserir no mundo digital é necessário buscar qualificação e desenvolver algumas habilidades, tais como: criatividade, comunicação, mente analítica e multidisciplinar. Com a junção de hard skill e soft skill, acredito que a pessoa esteja pronta para seguir nesse mundo”, avalia o CEO da Qodeless.

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Já para preparar as novas gerações para este mercado, os especialistas acreditam que é necessário trabalhar a lógica de programação desde a infância, o que pode ser feito, inclusive, brincando, com peças de montar e jogos de vídeo game, por exemplo.

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“Na área de tecnologia nós temos um mercado vasto, com muitas vagas em aberto e falta de pessoas para preencher. Assim, as pessoas devem, primeiro, ter ciência de que o mercado mudou e tem novas exigências, ele valoriza pessoas que se reinventam, que têm um perfil multitarefa e está sempre em constante aprendizado, essas são algumas habilidades que o mercado busca e tem uma necessidade constante. Além disso, devemos esperar mais inovações tecnológicas, automatização, empresas com empregos híbridos, e focadas mais nas habilidades comportamentais dos colaboradores”, diz Ebenézer.

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Mais sobre empregos digitais
Se fala tanto sobre empregos digitais, mas você sabe o que é isso? Segundo Tatiana, essencialmente, os empregos digitais são aqueles relacionados à área de tecnologia, que estão presentes em todas as empresas, como programadores, cientistas de dados e engenheiro de inteligência artificial, por exemplo.

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Contudo, há quem amplie mais esse conceito, considerando também áreas como produção de conteúdo, marketing digital, mídias sociais, entre outros.

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No Brasil, os empregos digitais estão em vários setores da economia e as ocupações essencialmente digitais possuem remuneração média cerca de 95% superiores em relação às remunerações médias de ocupações gerais do mercado.

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Sobre a oferta digital brasileira, o estudo do MCB e FGV mostrou crescimento de 5,7%, em cinco anos, enquanto o mercado americano cresceu 7,1%. Segundo o levantamento, se a oferta digital brasileira alcançasse o patamar atual de representatividade da economia americana, calculado em 10,2% em 2020, o Brasil teria um incremento de 1,12 trilhão de reais na economia.