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Nos EUA, Lula diz que não pedirá a extradição de Bolsonaro

Presidente afirma em entrevista à CNN que decisão depende da Justiça brasileira

Folhapress

Publicado em 10/02/2023 às 17:59

Atualizado em 10/02/2023 às 18:02

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista à CNN Internacional, em Washington, antes de encontro com seu homólogo americano, Joe Biden / Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que não pedirá ao líder americano, Joe Biden, a extradição de Jair Bolsonaro (PL), que está nos EUA, e que essa decisão depende da Justiça brasileira. A afirmação foi feita em entrevista à CNN nesta sexta-feira (10), em Washington, onde Lula se encontra com Biden.

"Um dia ele terá que voltar ao Brasil e enfrentar os processos a que responde. Não vou falar com Biden sobre extradição do Bolsonaro, isso depende dos tribunais, e quero que ele seja considerado inocente até que seja provado o contrário, o que não aconteceu comigo. Só falo com Biden sobre isso se ele falar."

O ex-presidente está na Flórida, para onde foi antes da cerimônia de posse de Lula. No dia 30, Bolsonaro pediu visto de turista para permanecer mais tempo nos EUA, já que a permissão diplomática iria expirar.

O petista também criticou o ex-mandatário brasileiro, a quem chamou de "cópia fiel" do ex-presidente americano Donald Trump, em resposta na qual afirmou ser natural a polarização política e na qual criticou a invasão do Capitólio promovida por apoiadores de Trump.

Em Washington, Lula deve apresentar a Biden a ideia do "clube da paz", grupo de países que, na visão do Planalto, não estão envolvidos diretamente no conflito e, portanto, poderiam negociar a paz entre Rússia e Ucrânia. Ele voltou a defender o plano durante a entrevista, ao ser questionado se estava comprometido com a democracia fora do país como ele diz estar em relação ao sistema democrático brasileiro.

"Estou comprometido com a democracia. No caso da Ucrânia e da Rússia, é preciso que alguém fale sobre paz. Precisamos falar com o presidente Putin sobre o erro que foi a invasão, e devemos falar para a Ucrânia conversar mais. O que quero dizer a Biden é que é necessário um grupo de países pela paz."

Um alto funcionário do governo americano indicou, no entanto, que os Estados Unidos têm muitas ressalvas à ideia. Segundo ele, os esforços pela paz devem reconhecer que há violação da integridade territorial e da soberania ucranianas pela Rússia, seguindo os critérios da Carta da ONU.

Lula defende que um dos países que poderia participar dos diálogos pelo fim do conflito é a China, aliada do presidente russo, Vladimir Putin, com quem disse ter "amizade sem limites" poucas semanas antes do início da guerra. Pequim, no entanto, evita participar diretamente da disputa.

Como revelou a Folha no último dia 27, o presidente Lula negou o pedido da Alemanha e vetou o envio de munições de tanques Leopard-1, operados pelo Brasil, à Ucrânia, sob o argumento de que, se as enviasse, estaria se envolvendo diretamente com o conflito. "Eu não quis mandar [munição], porque, se eu mandar, eu entrei na guerra. E eu não quero entrar na guerra, eu quero acabar com a guerra", disse o petista.

O movimento vem na contramão da intensificação do envio de armas à Ucrânia pelos aliados ocidentais de Kiev. Recentemente, americanos e europeus enviaram ou prometeram enviar tanques Leopard-2 e Leopard-1, no caso dos alemães, e M1 Abrams, no caso de Washington.

Lula tem viagem confirmada para a China em março, onde deve encontrar o líder chinês, Xi Jinping, em meio a tensões entre Washington e Pequim relativas ao conflito europeu, aos incidentes do balão chinês considerado espião pelos americanos e à expansão da presença militar dos EUA no Indo-Pacífico.

Durante a entrevista, o presidente brasileiro também falou sobre o compromisso do Brasil com a redução do desmatamento e dos planos de integrar ações relativas ao ambiente com estados e municípios.

Após o encontro na Casa Branca, os EUA devem anunciar a intenção de injetar recursos no Fundo Amazônia, principal iniciativa de arrecadação de verba para conservação da floresta e combate ao desmatamento. Atualmente, o fundo é gerido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) e bancado pela Noruega e pela Alemanha, além de, em menor parte, pela Petrobras.

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