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Sem dívidas: veja dicas para sair do vermelho

Em julho, Brasil bateu recorde de inadimplentes com 66,8 milhões de brasileiros com nome restrito. No estado de São Paulo são 7 milhões de endividados

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A inadimplência do consumidor reflete o histórico dos últimos meses, que inclui pandemia, desemprego, inflação alta e taxas de juros elevadas, além da guerra na Ucrânia / Angel_Vasilev77

Um levantamento da Serasa divulgado em julho mostrou que o Brasil bateu recorde de inadimplentes, com 66,8 milhões de pessoas com nome restrito. Somente no estado de São Paulo são 7 milhões de negativados. Diante de números tão alarmantes fica a pergunta: é possível sair do vermelho?

Na opinião da planejadora financeira Bruna Amalcaburio, analista da startups de análises e educação financeira Top Gain, a resposta é sim, porém é necessário disciplina e paciência.

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“Não há outra solução a não ser a organização financeira. Conhecer seu perfil, traçar e cumprir metas de gastos é o único caminho para uma vida financeira saudável”, comenta Bruna.

Bruna Amalcaburio, analista da startups de análises e educação financeira Top Gain
Bruna Amalcaburio, analista da startups de análises e educação financeira Top Gain (Divulgação)

O passo a passo
De acordo com a profissional, o primeiro passo é reconhecer o montante total das dívidas. Após isso é necessário apurar os ganhos e os gastos mensais.

“Minha dica é pegar papel e caneta ou montar uma planilha. Os cálculos mentais não podem ser usados para um planejamento eficiente. Assim, anote todos os gastos em uma planilha, uma agenda ou use um aplicativo de finanças pessoais. O importante na hora de anotar os gastos é dividir em três colunas: valor gasto, categorias do gasto (alimentação, saúde, transporte, lazer) e se é um custo fixo ou variável”, explica.

Após anotar os valores de cada mês é preciso dividir pela quantidade de meses anotados para  encontrar uma média dos valores. “Essa média de gastos vai ajudar a pessoa a conhecer melhor o próprio perfil e mostrará um valor mais real do  custo de vida, permitindo avaliar quais itens são essenciais e quais podem ser eliminados, reduzidos ou substituídos.”

A planejadora lembra ainda que é preciso fazer o mesmo com os ganhos mensais, descontados os impostos. A medida possibilitará  ter clareza sobre quais são os ganhos fixos e variáveis. Feito isso, é hora de somar os gastos e diminuir o valor das despesas. O cálculo deve ser positivo, caso contrário, é preciso rever e avaliar despesas.

Motivos de inadimplência
A graduada em matemática Aline Maciel, gerente da Serasa, explica que para ser considerado inadimplente não basta que o consumidor tenha dívidas, elas precisam estar com o pagamento atrasado a ponto da pessoa ser inscrita em um cadastro de inadimplentes, o que irá gerar restrições de crédito, por exemplo.

Neste sentido, ela conta que as dívidas em atraso dos brasileiros somam, em média, R$ 4,2 mil por pessoa, sendo que o valor médio de cada dívida é de R$ 1,2 mil. Entre as contas que estão levando as pessoas à inadimplência, estão o cartão de crédito e as contas básicas, como luz, água e gás.

“O cartão de crédito é o maior vilão do orçamento dos inadimplentes, com 27,8% das pessoas com dívidas no cartão. Em seguida, aparecem as contas básicas de luz, água, gás, com 22,6% de representatividade. Isso mostra que os brasileiros estão se endividando com contas básicas e para comer. Em outras pesquisas já vimos que as pessoas estão usando o cartão de crédito principalmente  no supermercado”, relata Aline.

Aline Maciel, gerente da Serasa
Aline Maciel, gerente da Serasa

Fuja de armadilhas
Ainda que a situação esteja complicada, as especialistas orientam cautela na hora de tentar sair das dívidas. Aline orienta que a renegociação, por exemplo, só seja feita se a pessoa realmente conseguir arcar com as parcelas, pois caso ela atrase o pagamento de uma dívida renegociada, a situação de crédito fica ainda mais complicada.

Já Bruna chama a atenção para a necessidade de tomar empréstimos com cautela. "Antes de solicitar um empréstimo é preciso ter claro qual será a função desse empréstimo. As contas devem estar extremamente organizadas e a pessoa deve conhecer seus gastos e rendimentos de forma clara”, diz.

Conselho semelhante ela dá para aqueles que pensam em pedir antecipação salarial. “É necessário entender claramente para onde vai o dinheiro que será antecipado. Qual a importância dele? Qual o plano? Entenda que se está adquirindo uma dívida e ela precisa ser paga no futuro próximo. É preciso calcular o valor total do empréstimo e não somente se a parcela cabe no bolso”, ressalta a planejadora.

Será que vai melhorar?
De acordo com a gerente da Serasa, de modo geral, a inadimplência do consumidor reflete o histórico dos últimos meses, que inclui pandemia, desemprego, inflação alta e taxas de juros elevadas, além da guerra na Ucrânia. “Vemos isso afetando o mundo todo, mas por ser um país emergente, o Brasil  tende a sentir mais os efeitos deste cenário”, diz.

Para os próximos meses, a perspectiva segue negativa. Ao menos é o que espera o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior. Durante conversa com jornalistas, ele afirmou que os índices de inadimplência do banco devem seguir na recente trajetória de alta .

"Ainda vemos a inadimplência crescendo no segundo semestre, a depender das condições de emprego e renda",  disse, conforme publicado pelo jornal Folha de S. Paulo.

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