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Foto: reprodução dersa

Rica e paradisíaca Ilhabela enfrenta crise sanitária

Todas as 19 praias que ficam no canal da ilha estavam com bandeira vermelha

O dia 29 de novembro de 2018 foi histórico para Ilhabela: a prefeitura depositou
R$ 55 milhões no fundo soberano da cidade, abastecido com royalties de petróleo e destinado às futuras gerações. Bastaram dois meses para aparecer a face oposta a essa da Ilhabela rica e paradisíaca: todas as 19 praias que ficam no canal da ilha estavam com bandeira vermelha na última semana, um indicativo de que a quantidade de coliformes fecais atingira um limite que expõe o banhista a doenças.

O mau cheiro e as manchas de cor bege no mar não eram o único problema da ilha. Na virada do ano faltou água e as ruas travaram a ponto de os carros da balsa não conseguirem desembarcar. Cerca de 120 mil pessoas entraram na ilha entre 26 de dezembro e 2 de janeiro.

Ilhabela é a cidade mais rica do Brasil no quesito valor do orçamento por morador. O orçamento em 2018 foi de R$ 27.422 por habitante (em São Paulo, foi R$ 4.448 por morador). É tanto dinheiro que a prefeitura não conseguiu gastar R$ 400 milhões em 2018. Isso é resultado da exploração do pré-sal. Só de royalties da Petrobras, a cidade recebeu R$ 751,7 milhões, ou 80% do orçamento.

Não há consenso sobre as causas da poluição. A prefeitura e a Cetesb culpam ocupações irregulares e chuvas que carregam esgoto para o mar. Gilda Nunes, presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente, diz que a chuva tem influência, mas a causa principal é a falta de tratamento do esgoto que é despejado por um emissário a 900 metros da praia de Itaquanduba. "Emissário é uma ótima tecnologia para mar aberto, mas tem problemas em canal de dois quilômetros de largura como o nosso", afirma. A outra causa da bandeira vermelha, diz, é o tratamento que a Sabesp dá ao esgoto da ilha na única estação construída com recursos públicos.

A estação que bombeia o esgoto no canal faz o nível mais baixo de tratamento: só retira sólidos, como fraldas e absorventes, passa o material orgânico por peneiras e aplica cloro para desinfetá-lo.

A única praia que permaneceu sem coliformes fecais na primeira semana do ano foi a que faz o tratamento mais complexo de esgoto, chamado de terciário, com uma estação bancada pelos moradores da praia do
Pinto. (FP)

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