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Clubes têm disparada de processos

QUATRO GRANDES DE SP. Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos somaram 136 novos processos trabalhistas em 2019

Os quatro maiores clubes de São Paulo viram aumentar o número de processos trabalhistas no último ano. Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos somaram 136 novos casos em 2019, 47 a mais do que foi registrado em todo ano
passado.

A reportagem fez o levantamento com base nas certidões de distribuição de processos trabalhistas emitidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª região.

O aumento nos processos de ex-funcionários de clubes foi registrado enquanto há redução no total de ações apresentadas à Justiça do Trabalho em todo o País, após a reforma aprovada no governo Michel Temer e que entrou em vigor em 2017.

O Santos responde pela metade das ações. São 47 novos processos, 25 a mais do o registrado em 2018.

O Corinthians foi alvo de 38 ações (sete a mais que do que houve no ano passado), o São Paulo, de 30 (nove a mais) e o Palmeiras, de 21 (seis a mais).

O valor das ações que tem Corinthians e Santos como reclamados é de R$ 7,2 milhões cada um, enquanto a do São Paulo é de R$ 4,2 milhões e a do Palmeiras, de R$ 3 milhões.

"Fizemos um monte de corte desde quando assumi, um monte de gente não se conforma e vai para Justiça", disse José Carlos Peres, que preside o Santos desde janeiro do ano passado. "Pegamos 176 rescisões trabalhistas que não foram pagas na gestão anterior e acertamos 90% delas."

A maioria dos ex-funcionários que entraram com ações tinham funções administrativas. Há processos em que os times respondem subsidiariamente, isso é, quando funcionários contratados por empresas terceirizadas reclamam na Justiça.

"Em primeiro lugar, os valores atribuídos à causa, eles nunca refletem o valor efetivo do processo. É um valor colocado aleatoriamente, uma estimativa a grosso modo que serve para fixar valor de custas processuais", disse Leonardo Serafim, diretor jurídico do São Paulo.

Segundo ele, o aumento se deve pelo crescimento no número de ações envolvendo empresas terceirizadas e que têm uma alta taxa de demissão.

"O número de causas de funcionários diretamente ligados e atletas e ex-atletas tem diminuído. Estamos dando baixa em processos de anos atrás", finaliza.

Atletas - funcionários com maiores salários nos clubes - respondem pela minoria das ações.

No Palmeiras, por exemplo, o meia Mazinho (que jogou no clube de 2012 a 2017) requer R$ 1,2 milhão - as outras 20 ações contabilizam R$ 1,7 milhão.

No Corinthians, Mauri Costa Lima, preparador de goleiros no Parque São Jorge durante 2008 e 2018, pleiteia R$ 2,6 milhões entre adicional noturno e horas extras.

"Houve um aumento de ações por parte das empresas terceirizadas, como segurança e limpeza, pois deixaram de prestar serviços e foram substituídas. Contudo, após a reforma trabalhista, houve diminuição no número de ações de empregados próprios contra o clube", disse o Corinthians em nota.

De acordo com os balanços financeiros do ano de 2018, Corinthians tinha como montante acumulado de dívidas trabalhistas R$ 99 milhões, o Palmeiras, R$ 95 milhões, o São Paulo, R$ 62 milhões e o Santos, R$ 60 milhões. (Carlos Petrocilo e João Gabriel/FP)

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