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O local também virou um ambiente de proliferação de ratos, baratas e outros insetos; o cheiro em volta 
é muito forte
O local também virou um ambiente de proliferação de ratos, baratas e outros insetos; o cheiro em volta é muito forte
Foto: FOTOS: THIAGO NEME/GAZETA S. PAULO

Casa abandonada continua causando transtornos

ENCHENTE. Buraco em casa permite que águas do córrego alaguem rua em bairro da zona norte; situação foi denunciada há 6 meses

Os moradores da rua Maria Renata, no bairro do Limão, zona norte de São Paulo, permanecem vivendo um drama desde 20 de março de 2018. Naquele dia houve uma forte chuva que fez o córrego Tabatinguera, que passa atrás das residências de um dos lados da via, subir e derrubar a parede da casa de uma idosa de 80 anos, que, com dificuldade de locomoção, morreu por afogamento. Além dessa tragédia, desde então a casa está abandonada e, a cada nova chuva, as águas entram pelo buraco aberto pelo rio e invadem a rua. Não há morador que não tenha perdido bens e se exposto a doenças, como o Aedes aegypt, o mosquito causador da dengue.

Em março deste ano, a reportagem da Gazeta esteve no local para ouvir as reclamações dos moradores. Eles dizem que esperam uma reforma no local, seja dos proprietários da casa, seja da prefeitura. Mas até hoje nada foi feito. O local também virou um ambiente de proliferação de ratos, baratas e outros insetos. O cheiro em volta é muito forte.

Os moradores dizem se sentir desamparados pela prefeitura e estão apavorados com a aproximação do verão e, com ele, a época de chuvas mais fortes.

A dona de casa Camila Oliveira, que vive em uma casa exatamente à frente da residência que causa o problema na rua, diz que já perdeu diversos eletrodomésticos. E, por causa da indefinição do problema, afirma que terá um gasto a mais.

"Eu vou colocar uma comporta na minha casa. Daqui a pouco vai começar o período de chuvas e não quero perder tudo mais uma vez. Você tem que ver, a água vem com tudo direto na minha casa".

O mesmo temor de Camila é o da vizinha dona Isaura, de 89 anos. "A gente nem está mais comprando imóveis novos. Comprar para que, se vamos perder tudo?". Ela teme a subida das águas também pelo perfil de parte dos moradores da Maria Renata. "Nesta rua tem muito velho e criança, o que deixa a situação ainda mais
perigosa".

Um problema ainda maior passa a vizinha direta da casa problemática. Além do risco de enchente, a dona de casa Maria do Socorro ainda precisa viver com ratos e insetos que passam do muro ao lado para sua residência. "Está tudo a mesma coisa desde que vocês vieram aqui a primeira vez, e fico ainda com mais medo porque tenho dois filhos de 13 e 15 anos. Aí do lado vem doença, inseto, rato, pernilongo, e até uns bichinhos estranhos tipo lacraia. Muitos entram na minha casa".

A rua Jerônimo dos Santos, paralela à Maria Renata, também enfrenta problemas causados pelo Tabatinguera. O aposentado Edson Roberto de Souza Neves, que há meses trabalha na reforma de sua casa, reclama do surgimento de ratos e do aumento do risco de dengue. "Aparecem uns ratos muito grandes por aqui", diz.

Quando a reportagem da Gazeta esteve no local, funcionários da prefeitura estavam limpando a sujeira acumulada no córrego Tabatinguera, que passa a céu aberto no início da rua e se escora nas paredes dos fundos das casas.

Após contato da Gazeta, a Subprefeitura Casa Verde/Cachoeirinha informou que, em março deste ano, o proprietário do imóvel foi autuado pelo descumprimento da Lei n° 15.442/2011, que dispõe sobre a limpeza de imóveis particulares. A multa para este tipo de infração é reaplicável a cada 60 dias.

"Neste caso, a administração regional aplicou duas novas multas, uma no mês de maio, outra em julho. Uma nova vistoria está programada para o mês de setembro, e, caso o proprietário não tenha regularizado a situação, será autuado novamente", diz a nota.

Em relação ao Córrego Tabatinguera, "a Subprefeitura Casa Verde/Cachoeirinha informa que as ações de limpeza são executadas mensalmente. Vale ressaltar ainda que três imóveis do entorno, pertencentes ao mesmo proprietário, nos numerais 52, 58 e 122, foram interditados e continuam desocupados por oferecerem riscos estruturais".
(Bruno Hoffmann)

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